As investigações em curso sobre as fugas de informação no departamento de Defesa dos Estados Unidos estão a levar a um clima de desconfiança entre o Pentágono e a Casa Branca, reporta o jornal britânico The Guardian.
No mês passado, três funcionários do Pentágono foram afastados dos cargos por suspeita de envolvimento em fugas de informação de um documento sobre os planos militares para retomar o Canal do Panamá para um jornalista. Os três homens negaram qualquer irregularidade numa declaração conjunta, mas uma investigação sobre os despedimentos revelou um pormenor: os assessores teriam sido descobertos através de uma escuta telefónica sem mandado.
A tese alarmou conselheiros na Casa Branca, pois tal escuta “seria provavelmente inconstitucional e um escândalo ainda maior do que uma série de fugas de informação”, reporta o The Guardian.
Conselheiros da Casa Branca, que falaram com o jornal britânico sob anonimato, disseram que levantaram a questão junto de assessores próximos do vice-presidente dos EUA, JD Vance, mas descobriram que a história das escutas era falsa. Segundo o jornal, os conselheiros “queixaram-se de que estavam a ser alimentados com informações duvidosas pelo advogado pessoal de Hegseth, Tim Parlatore”, o homem responsável pela investigação das fugas de informação.
O Guardian relata que as alegações de escutas telefónicas prejudicaram a credibilidade do gabinete de Hegseth, dizendo que o vai-e-vem “alimentou uma quebra de confiança entre o Pentágono e a Casa Branca”, onde os conselheiros de Trump “já não fazem ideia em quem ou no que acreditar”. Um conselheiro terá dito a Hegseth que não acreditava numa palavra das justificações do membro do Gabinete para os despedimentos, alegando que o antigo apresentador da Fox News inventou a história para ganhar uma luta interna no gabinete.
Sem responder a questões relacionadas com o artigo, o Pentágono fez a seguinte declaração ao diário: “O Presidente Trump está confiante na capacidade do secretário para garantir que a liderança de topo do Departamento de Defesa partilha o seu foco na restauração de umas forças armadas centradas na prontidão, letalidade e excelência.”
Em março, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, enviou por engano a um jornalista da revista norte-americana The Atlantic, os detalhes de um plano para bombardear os houthis no Iémen, poucas horas antes de o ataque se concretizar.
Jeffrey Goldberg foi inadvertidamente incluído num chat do Signal, uma aplicação de troca de mensagens, com outros secretários da Administração de Donald Trump, e recebeu informações sobre as armas que seriam utilizadas na investida norte-americana contra o grupo armado, os alvos a atingir e o calendário do ataque. Todos esses detalhes vieram a confirmar-se poucas horas depois.
Mas essa não terá sido a única vez que Hegseth usou o Signal para mais conversas oficiais do Pentágono. O Secretário da Defesa usou também a aplicação para discutir viagens ao estrangeiro, presenças na comunicação social, questões de agenda e outras informações que, não sendo confidenciais, são sensíveis.
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