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O presidente do Chega, André Ventura, classificou esta quinta-feira como “uma patetice” o candidato à liderança socialista José Luís Carneiro considerar que o PS se mantém como segunda força política por ter mais votos do que o Chega.

“Até o dr. José Luís Carneiro sabe que isto é uma patetice, porque num sistema representativo que se converte em mandatos, os mandatos à Assembleia da República são a representação da força dos partidos”, afirmou, acusando os socialistas de quererem “enganar as pessoas”.

O líder do Chega falava aos jornalistas à saída de uma audiência de menos de uma hora com o Presidente da República, no Palácio de Belém, e voltou a assumir-se como líder da oposição. André Ventura considerou que isto mostra como o PS “não é o partido da alternativa, é o partido da pequena coisa, do lugar”.

“O que está a preocupar o Partido Socialista não é ter perdido um milhão de votos ou deixar de poder influenciar a governação, o que está a preocupar o Partido Socialista é deixar de poder nomear ‘tachos’ para os lugares da administração pública e perder aquilo que se chama o segundo partido”, acusou.

“Meus amigos, levem a bicicleta. Se é isso que gostam de levar bicicletas para casa, levem-nas. Eu estou preocupado em transformar a vida das pessoas”, afirmou, afirmando que o PS está “no mau caminho, à beira do precipício, gosta de pôr o pé ainda mais à frente para continuar a cair mais”.

O candidato à liderança socialista José Luís Carneiro defendeu esta quinta-feira que o PS, por ter tido mais votos do que o Chega, manteve-se como a “segunda força mais importante na relação de confiança com os portugueses”.

Em declarações aos jornalistas após um encontro com a direção da UGT, José Luís Carneiro afirmou que a “maioria dos portugueses escolheu o PS para segundo partido” e que, na definição de quem é a segunda força política, o que conta são o número de votos — porque “cada voto conta” — e não o número de deputados eleitos. “Se nós valorizamos o princípio ‘um homem, um voto’, significa que valorizamos cada voto. E nessa aritmética de que cada voto conta, o Partido Socialista foi o segundo partido com maior número de votos da parte portuguesa”, acrescentou, questionado sobre se os socialistas, apesar de terem menos deputados do que o Chega, se mantêm como a segunda maior força política. Carneiro disse que esta não é uma opinião sua, mas sim uma questão “aritmética”, concluindo que se o PS teve a candidatura com o segundo maior número de votos é a “segunda força mais importante na relação de confiança com os portugueses”.

O Chega tornou-se esta quarta-feira a segunda força política em termos de representação parlamentar, ultrapassando o PS, ao eleger dois dos quatro deputados dos círculos da emigração. O Chega venceu em ambos os círculos da emigração, Europa e Fora da Europa, e elegeu dois deputados, o mesmo número de eleitos da AD — coligação PSD/CDS. O partido de André Ventura alcança, assim, 60 deputados, enquanto o PS se fica pelos 58, ao passo que, em número de votos, os socialistas continuam à frente. O PS teve 1.442.194 votos e o Chega 1.437.881 votos.

Carneiro defende que PS não deve negociar Orçamento antes de ser entregue

José Luís Carneiro disse ainda o PS não deve exigir negociações ao Governo antes da entrega do Orçamento do Estado no parlamento, mas sim aguardar pela proposta orçamental do executivo. Uma ideia que já tinha transmitido durante a entrevista à RTP3, esta quarta-feira, em que declarou que o PS estará “muito atento ao Orçamento”.

Carneiro disponível para viabilizar Orçamento, mas não de cruz: “Vamos vê-lo”

Questionado sobre se, como líder dos socialistas, vai exigir negociações com o primeiro-ministro antes da apresentação do Orçamento do Estado, José Luís Carneiro respondeu negativamente, acrescentando que o PS “vai naturalmente aguardar pela iniciativa do Governo” e que o executivo será “maioritário” e terá “suporte parlamentar”. “Vamos aguardar pela proposta”, afirmou Carneiro em declarações aos jornalistas após uma reunião com a direção da UGT, na sede da organização sindical em Lisboa.

Esta posição é contrária à que foi assumida pelo último secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, que exigiu uma negociação com o Governo prévia à entrega do documento orçamental no parlamento, que resultou na viabilização — através da abstenção — do Orçamento do Estado para 2024. Após mais de três meses de debate público, de avanços e recuos, entre o Governo e o PS, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o líder socialista, Pedro Nuno Santos, reuniram-se por duas vezes, a sós, para negociar a viabilização do orçamento pelo maior partido da oposição.

José Luís Carneiro assegurou que o PS vai ter uma “atitude construtiva” nas negociações com o próximo Governo e apresentar “propostas fundamentadas compatíveis com as capacidades do país”, sublinhando que tem uma “ideia de país” mais “desenvolvido, cosmopolita, integrado na economia global”. Numa declaração inicial após o encontro com a UGT, Carneiro enfatizou o que disse ser o seu compromisso com a valorização da Agenda do Trabalho Digno, a “valorização dos salários” e o “diálogo tendo em vista valorizar e proteger os jovens trabalhadores”.

Questionado sobre as críticas dos patrões à Agenda do Trabalho Digno, Carneiro assegurou também que neste período de diálogo com pessoas e instituições pretende também “promover um encontro com as entidades empresariais e com as entidades representativas dos empresários”. “É evidente que a compatibilização de vontades é essencial precisamente para esse objetivo, termos uma economia mais competitiva, mas que seja também mais inclusiva e que se faça com a dignificação das condições laborais“, acrescentou.

O secretário-geral do UGT, Mário Mourão, mostrou-se satisfeito pelo encontro com Carneiro, salientando que o antigo ministro “já tem provas dadas” e “soube responder e este à altura das respostas que eram necessárias” nas funções que já exerceu.