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Uma delegação luso-galaica de 30 cidadãos independentes vai participar numa marcha que partirá a 13 deste mês do Cairo com destino a Rafah, norte do Egito, em solidariedade com a Palestina, indicou esta quarta-feira a agência Lusa fonte da organização.

Ana Rita Tereso, porta-voz da delegação luso-galaico na iniciativa Global March to Gaza (Marcha Global para Gaza), adiantou que a representação é uma das oriundas de mais de 40 países que se reunirão provavelmente em El-Arich, 47 quilómetros a oeste de Rafah, distância que percorrerão a pé, devendo aí chegar a 15 do mesmo mês, permanecendo até dia 30. Segundo a porta-voz, a “marcha” tem três objetivos: ajudar a abrir a fronteira com Gaza em Rafah, “para que possa entrar ajuda humanitária” para os palestinianos, a segunda é a apoiar as operações de distribuição de água, alimentos, medicamentos para “eliminar a fome” e a terceira, “mais complexa”, que passa pelo “fim da ocupação” por Israel dos territórios palestinianos.

Segundo Ana Rita Tereso, 32 anos, natural de Lisboa e atualmente professora de Português para Estrangeiros, as diferentes comitivas que estão envolvidas na “marcha” englobam mais de 2.000 pessoas, que, à partida deveriam juntar-se no Cairo, mas, devido a eventuais problemas políticos e de segurança na capital egípcia, optaram por mudar o ponto de encontro para Alarixe, cerca de 320 quilómetros a nordeste do Cairo. A antiga guia turística portuguesa sublinhou que as autoridades do Cairo estão a par da “marcha” em solo egípcio e que ela própria manteve uma reunião com o embaixador do Egito em Lisboa, Wael Abu Bakr al-Naggar, para explicar os objetivos da iniciativa.

A porta-voz da delegação portuguesa, que frisou à Lusa que é uma cidadã independente e sem quaisquer ligações a grupos e ativistas, defendeu a situação em Gaza é “inacreditável e absolutamente desumana”, algo agravado pelo facto de a única ajuda humanitária que está a chegar aos palestinianos ser controlada por Israel. “Queremos, primeiro, ajudar a abrir a fronteira para a ajuda humanitária poder passar livremente e com as quantidades necessárias para terminar esta fome, esta sede. Não há, não existe água potável, não existe nada. A segunda medida é a eliminação da fome definitivamente. Sabemos quão complexa é a situação, mas, para nós, isto não está em discussão, isto tem de acontecer”, sublinhou Ana Rita Tereso. “O terceiro ponto, que é talvez o mais complexo, e é aquilo que vai ser mais complicado, é o fim da ocupação ilegal de todos os territórios, não só de Gaza, mas da Cisjordânia, de todos os outros territórios que foram infelizmente ocupados”, resumiu.

“Infelizmente, há muitos anos que as pessoas estão a ser expulsas das suas próprias casas e que é absolutamente inaceitável e não têm sítio para onde ir. E as casas estão a ser demolidas à frente delas. É desumano”, afirmou. Ana Rita Tereso sublinhou que a Global March to Gaza não transporta qualquer ajuda humanitária, pois estabeleceu duas parcerias nesse sentido, uma que envolve a ativista climática Greta Thunberg e outros 11 ativistas, que partiram no sábado para a Faixa de Gaza a bordo de um navio humanitário que visa “romper o cerco israelita” ao território palestiniano devastado.

O veleiro Madleen, operado pelo grupo Coligação Flotilha da Liberdade (ativistas pró-palestinianos que tentam fazer chegar ajuda a Gaza por mar), partiu do porto siciliano de Catânia, no sul de Itália, e transporta ajuda para o enclave palestiniano em ruínas, depois de quase um ano e meio de guerra, e aumentar a “consciencialização internacional” sobre a crise humanitária em curso. A segunda parceria envolve uma organização não-governamental tunisina, que promoveu a Somoud Convoy, que vai percorrer o Norte de África até Gaza, também com ajuda humanitária. “Todas estas ações são apartidárias, não violentas e de intenção humanitária, sob proteção da legislação internacional”, sublinhou Ana Rita Tereso, lembrando que todos os que participam nas diferentes missões são voluntários e têm conhecimento dos riscos que correm. Citando a ativista Greta Thunberg, a porta-voz portuguesa lembrou também que “o custo do silêncio e da inação são maiores”.

O conflito foi desencadeado com o ataque a Israel perpetrado pelo movimento de resistência islâmica Hamas a 7 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e levou ao sequestro de mais de 250 pessoas. A retaliação de Israel já provocou mais de 54.300 mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas da Faixa de Gaza e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.