Um armazém transformado em habitação ilegal com cerca de 60 quartos na rua D. Afonso Henriques, em São João da Talha, Loures, foi alvo de uma operação da PSP esta quinta-feira.

De acordo com o comunicado emitido pela PSP, a ação terá começado pelas 8h e terminado por voltas das 12h, envolvendo elementos do Núcleo de Estrangeiros e Controlo Fronteiriço e da Divisão Policial de Loures da PSP, que fiscalizou 45 cidadãos estrangeiros, encontrando-se todos em situação regular em Portugal.

Segundo as autoridades, foi ainda aberta uma investigação ao proprietário por ser suspeito de facilitar a entrada ilegal de pessoas em território nacional. “A PSP procedeu a uma operação policial num armazém que é utilizado para fins de habitação ilegal, sem qualquer tipo de licenciamento, no âmbito da fiscalização de cidadãos estrangeiros”, tendo “elaborado [um] Auto de Notícia pelo crime de auxílio à imigração irregular”.

O armazém, com dois pisos, pertencerá a uma instituição que se apresenta como igreja evangélica, apesar de esta não constar da lista de igrejas evangélicas reconhecidas em Portugal pela Aliança Evangélica Portuguesa — e funciona como residência para mais de 50 pessoas, maioritariamente imigrantes. Entre os residentes, encontram-se duas crianças e, pelo menos, um português que paga 220 euros por mês por um pequeno quarto sem janela.

Os inquilinos pagam rendas que variavam entre 220 e 370 euros mensais. Em média, o quarto de casal tem o preço fixado em 370 euros mensais, o quarto de solteiro custa 270 euros por mês e o preço por criança dentro do edifício é de 25 euros mensais.

Os vários quartos — sem condições — estão separados por pladur e o armazém conta apenas com duas casas de banho e uma cozinha para mais de meia centena de pessoas. Apesar de o imóvel pertencer a um proprietário (que ainda não foi identificado), foi apurado que a gestão do espaço e o arrendamento dos quartos eram feitos por outra pessoa.

À Rádio Observador, um comerciante de uma loja localizada perto do armazém diz ver o movimento de pessoas com regularidade há pelo menos dois anos. Também uma vizinha relatou que, nos últimos anos, tem sido “insuportável” viver junto ao armazém, queixando-se do cheiro e do barulho que vem do interior. Diz mesmo que já houve uma alegada tentativa de homicídio dentro do espaço e acusa o responsável da igreja evangélica de ser o responsável pelo arrendamento dos quartos.

PSP suspeita de habitação ilegal num armazém em Loures

O cartaz à porta da suposta igreja descreve-a como “Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Mangualde em São João da Talha”. Contudo, a Aliança Evangélica Portuguesa, organismo que congrega as várias igrejas evangélicas presentes em território nacional, não a reconhece como membro, pelo que esta igreja não consta da lista das igrejas reconhecidas.

O cartaz dá ainda conta do líder da igreja: bispo Zaqueu Pereira. Trata-se de um líder religioso brasileiro que já foi denunciado por gerir um armazém com 27 quartos para imigrantes num armazém no Seixal — e que se encontra desde 2021 a ser investigado pelo Ministério Público por crimes de auxílio à imigração ilegal.

Nos últimos meses, as autoridades realizaram várias operações relacionadas com habitações ilegais, nomeadamente em Queluz e no Seixal.

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