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O navio com ajuda humanitária Madleen, que tentava chegar a Gaza com a ativista sueca Greta Thunberg a bordo, foi desviado no domingo à noite pelas autoridades israelitas, que disseram aos passageiros para “regressar aos seus países”. O ministro da Defesa de Israel deu instruções às IDF para “mostrar aos passageiros o vídeo dos horrores do massacre de 7 de outubro” depois de serem transportados para o porto de Ashdod, em Israel, cita o The Guardian, onde chegaram ao anoitecer, por volta das 20h45 locais (18h45 em Lisboa), escoltado por dois navios da Marinha israelita.
Referindo-se a Greta Thunberg, bem como aos outros ativistas a bordo do navio, Israel Katz disse que queria que “vissem exatamente quem é a organização terrorista Hamas que vieram apoiar e para quem trabalham, que atrocidades cometeram contra mulheres, idosos e crianças, e contra quem Israel está a lutar para se defender”. Katz congratulou ainda o exercito israelita pela “rápida e segura” forma como tomou o Madleen. O navio, com doze ativistas franceses, alemães, brasileiros, turcos, suecos, espanhóis e holandeses a bordo, tinha partido de Itália a 1 de junho para “quebrar o bloqueio israelita” em Gaza, onde a situação humanitária é desastrosa após mais de um ano e meio de guerra.
Depois de uma escala no Egito, o Madleen aproximou-se de Gaza, apesar dos avisos de Israel, que tinha dado ordens ao seu exército para o impedir de se aproximar do território palestiniano. “O Estado de Israel não permitirá que ninguém viole o bloqueio marítimo de Gaza, cujo principal objetivo é impedir a transferência de armas para o Hamas, uma organização terrorista assassina que mantém os nossos reféns e comete crimes de guerra”, anunciou no domingo o ministro israelita da Defesa, Israel Katz.
Durante a noite, a Freedom Flotilla Coalition (FFC), que fretou o navio, anunciou a abordagem do navio pela armada israelita. “Perdeu-se a ligação com o Madleen. O exército israelita entrou a bordo do navio”, anunciou a coligação através da rede social Telegram, afirmando que a tripulação tinha sido ‘raptada pelas forças israelitas’. Além de Greta Thunberg, o navio transportava também a eurodeputada franco-palestiniana de esquerda Rima Hassan.
A FFC denunciou ainda a existência de uma “clara violação do direito internacional”, insistindo que a abordagem teve lugar em águas internacionais. “Israel não tem autoridade legal para deter voluntários internacionais a bordo do Madleen”, afirmou o diretor da organização, Huwaida Arraf.
Grupo humanitário diz que ainda não foi permitido contacto com ativistas detidos
Em resposta a estes acontecimentos, a organização Flotilha da Liberdade, que organizou a viagem, pediu pressão internacional para confrontar Israel com a sua abordagem ao veleiro humanitário “Madleen” e detenção da sua tripulação de 12 pessoas, incluindo a eurodeputada Rima Hassan e a ativista climática sueca Greta Thunberg.
“Já passaram 15 horas desde que vimos ou ouvimos falar dos nossos amigos e colegas. Não nos foi permitido qualquer contacto”, afirmou o grupo pró-palestiniano em comunicado, indicando que o “Madleen” transportava seis voluntários franceses, um neerlandês, um turco, uma sueca, um brasileiro, uma alemã e um espanhol. Às 23h30 de segunda-feira, esse contacto com os ativistas detidos ainda não tinha acontecido.
O grupo expressou a sua gratidão “a todos aqueles que lutam” pela sua equipa, embora sublinhe que a tripulação do “Madleen”, devido ao privilégio dos seus passaportes, “provavelmente não será submetida à tortura horrível” que os “palestinianos enfrentam diariamente, alguns deles presos ilegalmente há décadas”. Nesse sentido, a Flotilha da Liberdade pede “pressão sobre os Estados para travar Israel”.
“Obviamente, os meios de comunicação social israelitas afirmam que nenhum voluntário ficou ferido, mas o impacto psicológico de ser raptado à força por uma força militar que está a perpetrar genocídio em Gaza e outros crimes de guerra em todo o mundo, impedindo-os de contactar com os seus amigos, familiares e colegas na Flotilha, é ilegal, além de perturbador, e um atentado à solidariedade”, argumentou a organização.
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Comunidade internacional critica ataque de “Estado terrorista” a trabalhadores humanitários
Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia e a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnes Callamard, criticou a interceção do barco Madleen considerando que “viola o direito internacional”. “Enquanto potência ocupante, Israel tem a obrigação legal de garantir que os civis em Gaza recebam alimentos e medicamentos suficientes. Deveria ter permitido que o Madleen entregasse a sua ajuda humanitária a Gaza”, afirmou Callamard na rede social X, onde apelou ainda à intervenção dos governos.
“Está em curso um genocídio. Uma ocupação militar. Um apartheid. Os palestinianos em Gaza estão a morrer à fome. Os trabalhadores humanitários estão a ser alvo de ataques. A ajuda humanitária está bloqueada”, criticou ainda.
“Este ato hediondo do Governo de Netanyahu, que ameaça a liberdade de navegação e a segurança marítima, demonstra mais uma vez que Israel está a agir como um Estado terrorista”, lê-se também no comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros turco na rede social X.
Já o Hamas criticou a captura do navio de ajuda humanitária por Israel, afirmando ter sido “terrorismo de Estado organizado”. “Saudamos os corajosos ativistas de várias nacionalidades que se mantiveram firmes perante as ameaças e reafirmaram que Gaza não está sozinha”, afirmou, citado na Al Jazeera.
O grupo considerou ainda que outros comboios de ajuda humanitária, como os vindos da Argélia, Tunísia e Jordânia, com destino a Gaza são “testemunhos vivos do fracasso” da “máquina de propaganda” de Israel. “A apreensão do Madleen não vai silenciar a voz dos livres, nem vai parar a crescente solidariedade global com Gaza”, acrescentou.
Em Portugal, a deputada e líder do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, pediu ao Governo que condene “imediatamente” a interceção do navio Madleen, escrevendo numa publicação no X que “está em causa o apoio ao povo de Gaza e a segurança dos ativistas, incluindo Greta Thunberg e Rima Hassan [eurodeputada do partido francês França Insubmissa].
A Flotilha da Liberdade, que levava ajuda humanitária a Gaza, foi interceptada pelas forças israelitas. Está em causa o apoio ao povo de Gaza e a segurança dos ativistas, incluindo @GretaThunberg e @RimaHas. O governo português deve condenar imediatamente a atuação de Israel.
— mariana mortágua (@MRMortagua) June 9, 2025
Em França, Emmanuel Macron, pediu a Israel que “permita o regresso o mais rapidamente possível” dos seis cidadãos franceses que estavam a bordo do barco humanitário Madleen, noticia o FranceInfo.