O eurodeputado socialista Francisco Assis criticou este sábado o comunicado emitido pelo candidato do PS à Câmara do Porto, Manuel Pizarro, na sequência do “desacato lamentável e impróprio” entre o vice-presidente da autarquia, Filipe Araújo, e o diretor de comunicação da candidatura de Pedro Duarte, Vasco Ribeiro, na passada quinta-feira.
“O candidato do PS não pode emitir um comunicado visando assassinar o carácter de um homem digno por pura vingança e oportunismo eleitoral. Ou melhor, pode, e tanto pode que o fez. Não o deveria ter feito. Aviltou-se e arrastou consigo o PS”, escreveu Francisco Assis numa publicação no seu Instagram.
Na sequência da divulgação dos factos sobre o desentendimento entre Filipe Araújo e Vasco Ribeiro na tenda VIP do festival Primavera Sound, o candidato socialista à autarquia do Porto afirmou nas redes sociais que condenava “em absoluto a agressão” ao candidato independente, revelando ter tido a “oportunidade de apresentar a sua solidariedade”.
"Condeno em absoluto a agressão ao candidato Filipe Araújo, por parte de um destacado dirigente da candidatura do PSD. Já tive oportunidade de apresentar a minha solidariedade."
"Repudio totalmente a violência, ainda mais incompreensível e condenável em contexto político." pic.twitter.com/LIOG9OtA0F
— Manuel Pizarro (@MPizarroPorto) June 13, 2025
O eurodeputado do Partido Socialista sublinha que Manuel Pizarro “conhece o Vasco Ribeiro há muitos anos e sabe que ele é um homem de carácter, incapaz de propala qualquer tipo de discurso de ódio (como agora se diz), alheio à prática da violência, dotado de natural predisposição para o respeito pelo outro”. Ribeiro já colaborou com Assis por diversas ocasiões ao longo da carreira política do eurodeputado.
Na publicação, Francisco Assis refere que tanto Vasco Ribeiro como Filipe Araújo “apresentam versões diferentes em relação ao ocorrido e estarão ambos certamente arrependidos dos atos praticados”, acrescentando que Pizarro “não pode emitir um comunicado visando assassinar o carácter de um homem digno por pura vingança e oportunismo eleitoral”.
“Ou melhor, pode, e tanto pode que o fez. Não o deveria ter feito. Aviltou-se e arrastou consigo o PS”, completa Francisco Assis, admitindo que o candidato socialista esteja “magoado por não contar com o apoio eleitoral” de Vasco Ribeiro “dada a grande proximidade que tiveram”. O eurodeputado manifestou estar “indignado” com a tomada de posição de Manuel Pizarro e “deixa claro” que existe “uma parte do PS” que “considera abjeta” a atitude do antigo ministro da Saúde.
Campanha de Pizarro reage. Assis está a “branquear o comportamento de um colaborador”
Em resposta enviada ao Observador, fonte oficial da candidatura de Manuel Pizarro diz que “não se percebe esta declaração de Francisco Assis, que aparece a branquear o comportamento de um seu colaborador direto de há largos anos”, recordando o episódio de agressão a Assis em Felgueiras, em 2003, em que “Manuel Pizarro esteve do lado dele, como esteve agora do lado de quem foi agredido”.
“Além do mais o próprio envolvido no episódio de agressão fez um julgamento diverso e decidiu demitir-se da campanha do PSD e o candidato do PSD, embora com demora mas assumindo o gesto como indefensável, decidiu aceitar essa demissão”, conclui a fonte oficial da campanha socialista.
Carneiro. “Como é que lá fora olham para nós se nós nos desconsiderarmos uns aos outros?”
O candidato a secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, também se pronunciou sobre a polémica das agressões entre Vasco Ribeiro e Filipe Araújo, tendo pedido respeito entre militantes e criticando os insultos.
“Temos, em primeiro lugar, de nos ouvir uns aos outros e de nos respeitarmos uns aos outros”, afirmou José Luís Carneiro, em Leiria, onde apresentou a candidatura à liderança do partido.
Referindo insultos nas redes sociais, “às vezes entre camaradas”, que “se desconsideram uns aos outros”, o candidato questionou: “Como é que lá fora olham para nós se nós nos desconsiderarmos uns aos outros?”.
“Nós não podemos permitir que camaradas se insultem, se desconsiderem, porque alguém decidiu ser candidato às eleições internas numa secção, numa concelhia, numa federação”, declarou.
Exigindo respeito por “quem entende e sente que tem um contributo para dar ao Partido Socialista”, o antigo governante pediu ainda que “haja coragem para que as pessoas avancem com candidaturas, que sejam candidatas, que façam um jogo limpo, transparente, concorrente, que apresentem as propostas, as ideias, porque é disso que vive a democracia”.
“Só poderemos defender uma democracia qualificada lá fora se também formos capazes de a praticar cá dentro”, realçou José Luís Carneiro, considerando que “isto tem de ser um pressuposto fundamental da vida dos partidos políticos, particularmente dos partidos que têm a história do Partido Socialista”.
Perante uma sala cheia, o candidato único disse ainda a simpatizantes e militantes do PS para não estranharem quando, por vezes, não responder a provocações de outros partidos, pois “há aqueles que só vivem com a provocação, vivem da provação”.
“Se respondermos, estamos a dar espaço a quem está a utilizar o insulto e a desconsideração, em vez de apresentar as suas propostas e as suas ideias, devidamente fundamentadas”, justificou, tendo recebido uma grande salva de palmas.
Notícia atualizada às 19h42 com as declarações de José Luís Carneiro