No início do ano, Augusto Santos Silva disse que a candidatura de António José Seguro às presidenciais não cumpria “os requisitos mínimos”. Cinco meses depois, já após a candidatura ter sido oficialmente apresentada, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros mantém o que disse. E estende as críticas às restantes candidaturas já oficializadas.
Questionado, durante uma entrevista à SIC Notícias em que falou maioritariamente sobre o conflito no Médio Oriente, se tinha visto a candidatura de António José Seguro e se mantinha o que tinha dito, Santos Silva afirmou: “A resposta a ambas as perguntas é sim.”
“Vi, com todo o respeito e com todo o interesse, e mantenho a minha posição. É um juízo crítico, não é nada pessoal”, defendeu, salientando que a opinião se estende às três outras candidaturas que já foram apresentadas. Ou seja, considera que “nenhuma” das candidaturas “que hoje conhecemos” cumpre “os requisitos mínimos que um Presidente da República e um país como Portugal deve ter”.
Além de António José Seguro, também Luís Marques Mendes, antigo líder do PSD, o almirante Henrique Gouveia e Melo, ex-chefe do Estado-Maior da Armada, e Joana Amaral Dias já apresentaram as candidaturas às eleições presidenciais que serão disputadas no início do próximo ano.
Augusto Santos Silva indicou também que mantém esperança de que ainda possa aparecer outro candidato e que António Vitorino (figura que considera que cumpre, efetivamente, os designados requisitos) ainda possa avançar.
Santos Silva critica “iniciativa israelita” e desejo de mudança de regime iraniano, apontando violações do Direito Internacional
No espaço de entrevista em que falou acerca do conflito do Médio Oriente, o antigo governante criticou os ataques lançados por Israel na passada sexta-feira, que desencadearam a guerra entre esse país e o Irão. “Não consigo compreender a iniciativa israelita, não me parece coberta por nenhuma regra do Direito Internacional”, declarou.
Notando que as exceções em que os ataques preventivos são permitidos à luz do direito são muito limitadas, considerou que “não era esse o caso” no Irão por se encontrar a negociar um acordo nuclear com os Estados Unidos. Falando nos EUA, Santos Silva defendeu que a sua entrada nesta guerra “daria uma dimensão ainda mais global ao conflito”, o que é indesejável.
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O antigo ministro disse que “não menoriza a ameaça que o Irão constitui”, mas rejeitou que a justificação israelita para lançar o primeiro ataque seja sequer uma “suspeição”. “É uma ideia obsessiva do governo de Netanyahu”, criticou.
Para além deste ataque, Santos Silva considerou que também o objetivo de mudança de regime — que não foi recusado por Netanyahu — “não é legítimo à luz do Direito Internacional”. “O que acontece a seguir aos interesses de segurança ocidentais?”, questionou, defendendo a resolução do conflito pela “via política e diplomática”.
As críticas estenderam-se ainda à União Europeia, pela posição “pusilânime” que tem assumido e à “falta de reação ao que Israel está a fazer na Cisjordânia e em Gaza”. Santos Silva reconheceu que o Irão é realmente uma ameaça à estabilidade regional, mas criticou a “cumplicidade por omissão” da UE quanto à situação na Palestina.