Fariba Vancor — também conhecida como Bella Nilsson ou “rainha do lixo” — foi condenada, esta terça-feira, a seis anos de prisão por estar envolvida em 19 crimes ambientais graves. De acordo com o jornal sueco Expressen, a diretora da marca Think Pink espalhou ilegalmente cerca de 200 mil toneladas de resíduos tóxicos pela Suécia entre 2015 e 2020.
A investigação, que estava em curso há quatro anos, colocou em causa a forma como a empresa se desfez de milhares de toneladas de lixo em 15 municípios. A Think Pink foi contratada por vários municípios e construtoras para eliminar resíduos indesejados (como materiais de construção). No entanto, os resíduos formaram cerca de 20 pilhas ilegalmente deixadas em várias zonas do país, libertando no ar vários produtos químicos e compostos tóxicos de chumbo, mercúrio e arsénico — o que representa um perigo para a saúde pública.
A gestão de resíduos foi “inadequada e acarretou grandes riscos e emissões nocivas, o que tem causado dificuldades significativas para os residentes nas proximidades destes locais de armazenamento”, disse Niklas Schüllerqvist, um dos juízes do caso, acrescentando que o funcionamento da empresa era como “um esquema em pirâmide“. “Não restam dúvidas de que ocorreram crimes ambientais nos locais onde os resíduos foram depositados”, sublinhou.
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O julgamento, que começou em setembro de 2024 no tribunal distrital de Södertörn, nos arredores de Estocolmo, terminou com a condenação de 10 dos 11 arguidos. O ex-marido de Fariba, Thomas Nilsson, também foi condenado, tendo recebido uma pena de três anos e meio de prisão por 12 crimes semelhantes.
Os cinco principais culpados foram condenados a penas entre os dois e os seis anos e estão, ainda, obrigados a pagar 250 milhões de coroas suecas (cerca de 23 milhões de euros) em indemnizações a entidades como o município de Botkyrka e a cidade de Västerås. Os restantes cinco irão cumprir penas de prisão mais curtas ou penas suspensas pelos crimes ambientais.
Apenas o antigo diretor executivo da empresa, Leif-Ivan Karlsson, foi absolvido da acusação, uma vez que o crime que o associa ao mau tratamento de resíduos está prescrito.”Que alívio, só me apetece chorar. Estou tão feliz e não me atrevia a acreditar nisto. Três anos são um pesadelo para toda a família”, disse, referindo-se ao tempo que poderia passar na prisão. No entanto, o empresário está também acusado de crimes financeiros, um processo cujo veredito ainda é desconhecido.
De acordo com a imprensa sueca, este é o processo mais complexo que alguma vez foi conduzido pela unidade nacional sueca especializada em crimes ambientais e segurança no trabalho. Foram mais de 80 dias de audiências, tendo sido ouvidas mais de 150 testemunhas e cerca de 20 queixosos. O acórdão final tem perto de 700 páginas.