Um juiz federal ordenou esta sexta-feira a libertação do ativista pró-Palestina Mahmoud Khalil, avançou a ABC News. A detenção do homem sírio, com visto de residência permanente, motivou muitos protestos nos Estados Unidos da América.

Apesar de ter a situação regularizada, Khalil foi detido em março por agentes federais à entrada de sua casa, em Nova Iorque, onde vive com a sua mulher, uma cidadã norte-americana.

A equipa jurídica de Khalil apresentou um pedido de providência cautelar que foi agora confirmado pelo juiz Michael Farbiarz — que indicou que vai emitir uma ordem a exigir a libertação imediata do ativista, negando o pedido do Governo para suspender a decisão por sete dias.

Antes, o mesmo juiz tinha emitido uma decisão preliminar a impedir que a administração Trump continuasse a manter detido o sírio, com base nas declarações do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que entendia que a presença de Khalil no país representava um risco à política externa. Porém, depois, Farbiarz concordou com o Governo sobre a detenção, alegando que o ativista tinha deturpado informações quando pediu o visto de residência.

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Khalil viu o seu visto de residência ser revogado por ter ajudado a organizar protestos a favor da Palestina na Universidade de Columbia, onde era então estudante de mestrado. Essas ações foram classificadas por Donald Trump como “atividades pró-terroristas, antissemitas e anti-americanas”.

Nos últimos três meses detido, Khalil perdeu o nascimento do primeiro filho. “Em vez de segurar a mão da minha mulher na sala de parto, estava agachado no chão do centro de detenção, a sussurrar-lhe através de um telefone enquanto ela estava em trabalho de parto sozinha”, contou Mahmoud Khalil citado pelo The Guardian.

Detido há três meses, o ativista pró-Palestina Mahmoud Khalil perdeu o nascimento do primeiro filho. Foi o dia mais “visceral”

“Tentei confortá-la enquanto outros 70 homens estavam a dormir à minha volta. Quando ouvi os primeiros gritos do meu filho, enterrei o rosto nos meus braços para que ninguém me visse chorar.” Para o sírio, os “danos mais imediatos e viscerais” da sua detenção foram ter perdido o nascimento do seu filho e ter sido afastado da mulher.

O jovem tinha sido transferido de Nova Iorque para um centro de detenção de imigrantes no estado do Louisiana. Esta detenção motivou muitos protestos em vários estados norte-americanos e os advogados do sírio chegaram a acusar o Governo dos EUA de prejudicarem a reputação do cliente “identificando-o, sem fundamento, como um risco para a política externa dos Estados Unidos”.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]