Desde o início de 2025, foram registados 504 casos de hepatite A em Portugal, em linha com o cenário mais amplo de propagação da doença a nível europeu, que está a ser acompanhado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC). O alerta para o aumento da transmissão do vírus chega da Direção-Geral da Saúde (DGS), esta sexta-feira.

Esta situação “configura um aumento da transmissão do vírus da hepatite A em Portugal, em linha com a tendência reportada pelo ECDC sobre surtos ativos em diferentes países europeus”, adiantou a DGS, em comunicado.

A entidade europeia destacou o surto de hepatite A em Portugal no seu relatório semanal de ameaças de doenças contagiosas na Europa e assinalou que este teve início em fevereiro de 2024. “Entre 1 de janeiro e 31 de maio de 2025, foram notificados 122 casos [da doença] associados ao contacto sexual“, informa-se no documento.

A maioria dos novos casos foram registados entre pessoas não vacinadas e nas regiões Norte e de Lisboa e Vale do Tejo (LVT). “A sensibilização clínica, o reforço do diagnóstico e a sequenciação de amostras no laboratório nacional de referência e as medidas de prevenção e controlo da saúde pública foram implementadas em todo o país”, aponta o ECDC.

Além dessa situação, a DGS avançou que foi identificado um segundo surto localizado nas regiões do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo, com transmissão associada a condições deficitárias de salubridade, que tem afetado particularmente crianças. Em fevereiro deste ano, foram detetados sete casos de hepatite A na região do Algarve, com todos os infetados com “relação de parentesco entre si”, despoletando um surto de menor dimensão numa escola em Portimão.

No relatório semanal da entidade europeia alerta-se ainda para a “probabilidade de infeção” de vírus que se “propagam através do sexo” e que é “elevada para as pessoas que participam no EuroPride 2025 Lisboa e que pratiquem sexo com parceiros múltiplos e não estáveis, especialmente se as medidas preventivas não forem aplicadas de forma consistente”. O evento decorre esta semana em Lisboa, com destaque para a parada marcada para sábado.

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Áustria, República Checa, Hungria e Eslováquia entre os países com mais incidência de surtos

Outro relatório do ECDC, que aponta os casos mais graves do surto de hepatite A ao nível europeu, destaca a Áustria, a República Checa, a Hungria e a Eslováquia como os países que “comunicaram um número superior ao esperado de casos do subgenótipo IB do vírus da hepatite A (VHA)”.

“Este aumento das infeções por VHA está a afetar principalmente adultos sem abrigo, indivíduos
que consomem ou injetam drogas e pessoas que vivem em más condições sanitárias. Além disso, foram notificados casos entre os membros das comunidades ciganas, tanto na República Checa como na Eslováquia”, revela-se ainda no documento.

Segundo a DGS, a hepatite A é frequentemente assintomática ou ligeira em crianças com menos de cinco anos, mas, em adultos, pode manifestar-se de forma súbita, com sintomas como febre, mal-estar e dor abdominal, sendo a icterícia – coloração amarelada da pele e dos olhos – o sinal mais característico.

Não existe uma forma crónica da doença e a infeção confere imunidade vitalícia, salientou também a DGS, garantindo que as autoridades de saúde a nível nacional e subnacional acompanham a situação em permanência, adotando as medidas de saúde pública adequadas para conter a propagação da infeção.

Entre estas medidas, a DGS destacou o rastreio e seguimento de contactos, a vacinação pré-exposição dos grupos de risco e ações de educação para a saúde.

A DGS adianta que a vacinação pré-exposição contra o vírus constitui a principal forma de prevenção, sendo especialmente recomendada para pessoas que residem ou viajam para áreas endémicas ou com surtos ativos, com práticas sexuais associadas a risco acrescido de infeção e com doenças crónicas ou outras condições que possam agravar o curso clínico da infeção pelo vírus da hepatite A.

A norma da vacinação contra a hepatite A está a ser revista para facilitar o acesso gratuito para os grupos mais vulneráveis da população.

Segundo referiu, a vacinação está também disponível em regime de pós-exposição, dirigida a contactos próximos de casos confirmados, conforme as orientações nacionais em vigor e critérios de elegibilidade, com o objetivo de prevenir o aparecimento de casos secundários.

Em articulação com organizações da sociedade civil e serviços de saúde sexual, a DGS tem vindo a desenvolver campanhas de informação e sensibilização, difundidas através das suas plataformas digitais e aplicações móveis de encontros.