O padre católico Duarte Andrade e Sousa, que foi preventivamente afastado há três anos pelo patriarca de Lisboa depois de admitir ter trocado mensagens inapropriadas com alunos de um colégio da capital, vai ser plenamente reintegrado no trabalho pastoral, recebendo uma nomeação para o próximo ano pastoral, anunciou esta terça-feira o Patriarcado de Lisboa em comunicado.

O caso remonta a julho de 2022, quando o próprio Patriarcado de Lisboa veio a público anunciar o afastamento preventivo do sacerdote. Em causa estava um conjunto de mensagens trocadas num grupo de Whatsapp entre o sacerdote e vários alunos do ensino secundário (incluindo menores) do Colégio de São Tomás, em Lisboa, onde o padre tinha funções.

A denúncia foi inicialmente avançada pela mãe de um dos jovens, que viu as mensagens com carácter obsceno e com a participação do padre. O sacerdote admitiu ter enviado as mensagens, assumiu que não estava bem do ponto de vista psicológico e chegou a estar de baixa médica. As mensagens não configuravam crime de assédio ou abuso e não envolviam imagens dos próprios menores.

Patriarcado de Lisboa afasta padre preventivamente por mensagens “inapropriadas”. Caso seguiu para comissão de menores e pessoas vulneráveis

O Patriarcado de Lisboa abriu uma investigação e entregou os detalhes do caso às autoridades civis. Em setembro de 2022, o Ministério Público arquivou o caso e, em novembro do mesmo ano, também as autoridades eclesiásticas acabaram por arquivá-lo.

No comunicado divulgado esta terça-feira, o Patriarcado de Lisboa lembra que o sacerdote foi afastado “após troca de mensagens de teor inapropriado, conduta que o próprio participou às autoridades eclesiásticas, pelas quais mostrou arrependimento e que procurou reparar”.

A diocese lisboeta sublinha que foram cumpridos “os protocolos adequados” e que as duas investigações, “conduzidas de forma independente, concluíram pela inexistência de crime ou delito por parte do sacerdote e decidiram o consequente arquivamento do caso”.

“O Patriarcado reafirma que, embora não tendo sido delito, as mensagens foram, porém, inapropriadas, e lamenta o desconforto causado aos alunos e suas famílias”, diz ainda o comunicado, que nota que o sacerdote “acolheu com total abertura o apoio psicológico, espiritual e pastoral que lhe foi oferecido”.

“Por tudo isto, o sacerdote receberá novamente nomeação pastoral. O Patriarcado de Lisboa reitera o compromisso de oferecer contextos seguros de promoção humana”, termina a nota.

O comunicado surge poucas semanas antes da altura do ano em que, habitualmente, o Patriarcado de Lisboa divulga as nomeações para o ano pastoral que se segue — ou seja, o gabinete do patriarca Rui Valério quis antecipar, desde já, que ao fim de três anos sem nomeação, o sacerdote vai voltar a ter uma nomeação para uma paróquia ou serviço na Igreja.

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