Questionado esta manhã se está a considerar deportar o magnata sul-africano Elon Musk dos Estados Unidos da América, Donald Trump não negou, dizendo ser preciso “dar uma vista de olhos” à situação, numa fase em que os dois voltam a colidir publicamente.

Em conversa aos jornalistas nos jardins da Casa Branca antes de partir para a Flórida, o presidente dos EUA foi questionado se estava a considerar a deportação de Elon Musk. “Teremos de dar uma vista de olhos. Talvez tenhamos de pôr o DOGE sobre o Elon”, afirmou, ameaçando que este “monstro pode ter de voltar e comer o Elon”, numa referência ao Departamento de Eficiência Governamental criado para cortar despesas que o próprio empresário liderou desde o início do ano até março. “Não seria terrível? Ele recebe muitos subsídios”, terminou.

Trump reforçou assim as ameaças que já tinha feito quanto à possibilidade de cortar os subsídios concedidos às empresas de Elon Musk, já que o empresário — depois de um período de acalmia — voltou a criticar duramente a sua governação, visando em concreto um novo pacote fiscal que a Casa Branca quer aprovar.

“Elon pode ter recebido mais subsídios do que qualquer ser humano na história, de longe, e, sem subsídios, Elon provavelmente teria que fechar a loja e voltar para casa na África do Sul. Sem mais lançamentos de foguetões, satélites ou produção de carros elétricos, o nosso país pouparia uma fortuna. Talvez devêssemos pedir ao DOGE para dar uma boa e dura olhadela nisto? Há muito dinheiro a ser poupado!”, escreveu.

“Há muito dinheiro para poupar!” Trump sugere retirar subsídios às empresas de Musk após empresário voltar a criticar o seu pacote fiscal

Aparentemente sem medo das consequências, Musk terá respondido logo de seguida na rede social X a dizer a Trump para “cortar tudo”. Segundo o Washington Post, as empresas do magnata já receberam o equivalente a 38 mil milhões de dólares por parte do governo norte-americano nas últimas duas décadas.

Estes valores, como explicita a CNN, chegam à aeroespacial SpaceX através de contratos com o governo. No entanto, se a Tesla não recebe tantas verbas diretamente, beneficia sobretudo de políticas, como o crédito fiscal de 7 500 dólares para os compradores de veículos elétricos, o que lhe permite aumentar os preços dos automóveis.

Trump e Musk protagonizaram uma acesa discussão no início de junho, com o empresário a aludir, inclusive, que o presidente esteve envolvido nos crimes de exploração sexual de Jeffrey Epstein. Após um pedido de desculpas público de Musk, o caso parecia estar sanado, até à aproximação da votação de um novo pacote fiscal que prevê cortes orçamentais e isenções fiscais.

A “Big Beautiful Bill” (“Lei Grande e Linda”) pode vir a agravar a dívida pública dos EUA em 2,4 biliões de dólares na próxima década, razão pela qual Musk se tem insurgido contra a sua aprovação. Nos últimos dias, o empresário disse que este pacote legislativo é “absolutamente insano e destrutivo”, vai “destruir milhões de empregos nos Estados Unidos e causar imensos danos estratégicos ao país”.

Como ameaça, Musk disse que se o pacote fiscal for aprovado, “o partido da América será formado no dia seguinte”, considerando que os EUA precisam “de uma alternativa” face ao “partido único Democrata-Republicano”.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 7.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui e o sexto aqui]