As temperaturas começaram a baixar em Portugal e Espanha após os dois países serem atingidos por uma onda de calor sem precedentes, mas outros países da Europa vêm-se agora a braços com este fenómeno extremo, prevendo-se que apenas cesse quando chegar à Alemanha.

Em França, o calor atinge o seu pico esta terça-feira, tendo o serviço meteorológico Météo-France previsto temperaturas de 36 a 39ºC pelo país, com algumas zonas a registarem 40 e 41ºC, obrigando as autoridades a colocar 16 departamentos — subdivisões administrativas — no nível mais elevado de alerta e outros 68 no segundo patamar. Nesta segunda-feira foi também estabelecido um recorde mensal de calor.

Segundo a Reuters, o ministério da Educação francês ordenou o encerramento total ou parcial de 1350 escolas. Como parte das medidas tomadas durante esta onda de calor, o último andar da Torre Eiffel estará encerrado esta terça e quarta-feiras e foram impostas restrições à circulação de veículos poluentes no departamento de Île-de-France, onde se encontra a capital.

Em Itália, a agência ANSA noticia que o alerta vermelho estendeu-se a 18 cidades, incluindo Milão e Roma. Segundo a agência italiana, cidades como Bolonha, Bolzano, Brescia, Florença, Perugia e Turim estão sob o alerta máximo desde 26 de junho, um recorde de dias sem precedentes. Como tal, os presidentes regionais das regiões da Lombardia, de Abruzzo, da Sardenha e de Emília-Romanha ordenaram esta segunda-feira a suspensão do trabalho ao ar livre entre as 12h00 e as 16h30.

Fruto da subida das temperaturas, foram registadas várias mortes no país por diferentes fenómenos relacionados com o calor, sendo que, segundo as autoridades italianas, o número de admissões nas urgências subiu de 5% a 20% nos últimos dias devido à emergência térmica.

A morte mais recente deu-se em Bagheria, na ilha da Sicília, onde uma mulher de 53 anos que padecia de doença cardíaca morreu após perder a consciência e desmaiar no passeio. Antes, este domingo, uma mulher de 77 anos morreu sufocada pelo fumo de um incêndio que deflagrou perto da sua casa em Potenza, e um homem de 70 anos perdeu a vida na região do Piemonte após ser arrastado por uma torrente de água e lama após um intenso dilúvio.

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A Euronews noticia também a morte de um trabalhador de 47 anos na região de Bolonha num estaleiro de construção depois de desmaiar por trabalhar ao sol. Situações semelhantes foram registadas em Espanha, com mortes de funcionários em Córdoba,  Huelva, Barcelona e Tarragona, o que levou o sindicato Comisiones Obreras a emitir esta segunda-feira um alerta sobre as condições de trabalho e o incumprimento das normas em situação de calor.

Também perto de Tarragona, em Valls, uma criança com dois anos morreu após ter sido esquecida dentro de um carro, suspeitando-se que a causa de morte tenha sido insolação devido a um golpe de calor provocado pela permanência no interior do automóvel durante um longo período de tempo.

Esta onda de calor persistente chegou primeiro a Portugal e Espanha, onde levou a recordes sem precedentes. No interior do nosso país, o termómetro terá atingido os 46,6°C em Mora, distrito de Évora, um valor próximo do máximo absoluto no país, em 1 agosto de 2003, então 47,3 graus na Amareleja (Beja), segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Já em Espanha, foi registado um recorde histórico para o mês de junho em Huelva, com uma temperatura de 46°C, superando os 45,2°C registados em Sevilha em 1965.

Outros países vê-se agora a braços com o calor. Na Alemanha, escreve a BBC, o serviço meteorológico alertou para o facto de as temperaturas poderem atingir quase 38°C esta terça e quarta-feiras. Também o Reino Unido está em alerta, com as autoridades britânicas a emitirem um alerta âmbar (o segundo mais grave da escala) em cinco regiões de Inglaterra, incluindo Londres.

A leste, Grécia e Turquia, o calor a chegar aos 40ºC levou a vários incêndios florestais. O caso foi particularmente grave no país transcontinental, tendo as equipas de salvamento sido obrigadas a deslocar cerca de 50 mil pessoas devido a centenas de fogos que deflagraram nos últimos dias.

Com uma média de 26,01°C (graus Celsius), de acordo com os dados do programa europeu Copernicus registados no domingo e analisados pela Météo-France, o mar Mediterrâneo nunca tinha registado uma temperatura superficial tão elevada.

Propiciadas pelas alterações climáticas, estas ondas de calor estão a tornar-se mais intensas, começando mais cedo e ocorrendo mais tarde no verão. Como tal, a Organização Meteorológica Mundial emitiu um comunicado esta terça-feira avisando que o mundo terá de aprender a conviver com estas ondas de calor.

“Como resultado das mudanças climáticas causadas pelo homem, o calor extremo está a tornar-se mais frequente e intenso. É algo com o qual temos de aprender a conviver”, afirmou a porta-voz da OMM, Clare Nullis. “O que podemos esperar para o futuro? Mais do mesmo, até pior”, adiantou.