O teatro La Scala, em Milão, Itália, anunciou uma nova política de vestuário para quem quiser assistir a um espetáculo no seu interior. Os espectadores que se apresentarem de chinelos, calções ou camisola de alças serão impedidos de entrar e sem direito a reembolso do bilhete, escreve a agência noticiosa italiana Ansa.

A nova regra tem como objetivo recuperar a elegância associada a este emblemático espaço da cultura italiana, depois de várias queixas de espectadores habituais relativas ao aumento do turismo.

Vários avisos têm agora surgido no átrio e nos próprios bilhetes com imagens de chinelos, calções, camisolas de alças e hambúrgueres riscadas com uma linha vermelha. “Não queremos dizer às pessoas o que vestir, apenas pedimos que se apresentem minimamente compostas”, afirmou um porta-voz do teatro.

A questão sobre a conduta no La Scala já tinha sido debatida em 2015, altura em que o teatro adotou um código mais permissivo e flexível do que o anterior, com o então diretor, Dominique Meyer, a defender que o importante “é que os jovens venham, e não como estão vestidos”.

Agora, a atual direção inverteu essa política devido ao aumento dos turistas. “A verdade é que La Scala está infestada de turistas que a veem como um ponto turístico, tiram selfies e abandonam o espetáculo no primeiro intervalo”. De acordo com o porta-voz do teatro, houve uma “mudança de comportamento por parte dos visitantes que não seguem a ópera, mas veem o La Scala como um lugar a assinalar na lista de visitas“.

Apesar das novas regras, ninguém foi impedido de entrar nos primeiros dias desde que os avisos foram colocados, o que mostra um claro sinal de que a mensagem começou a ser compreendida. A direção mostra-se confiante em relação ao próximo ano, altura em que será apresentado o ciclo completo de Der Ring des Nibelungen, de Richard Wagner. “Os fãs de Wagner tendem a vestir-se muito bem”, concluiu o representante.

Com esta nova postura, o La Scala, inaugurado em 1778, pretende reforçar a sua identidade como símbolo da cultura, da tradição e da elegância — e não como mais uma paragem banal no roteiro turístico de Milão.

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