Uma operação da Polícia Judiciária (PJ) de combate à imigração ilegal, que decorre esta quarta-feira, resultou na detenção de mais de 50 pessoas, avança o Diário de Notícias e confirmou o Observador junto da PJ. Em causa estará uma rede de casamentos por conveniência e as detenções ocorreram na região da Grande Lisboa.

A operação “Aliança Digital” investiga a prática de crimes de auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal e falsidade informática e foi levada a cabo pela  Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), em inquérito dirigido pelo DIAP de Lisboa, informou a PJ através de um comunicado.

Segundo a força policial, os suspeitos delinearam e concretizaram um plano criminoso, através das redes sociais, com o intuito de promover a regularização fraudulenta de cidadãos estrangeiros.

A operação da PJ desta quarta-feira resultou na detenção de 58 pessoas, relatou o coordenador da investigação, José Ribeiro, em conferência de imprensa. Ao todo, a rede contribuiu para celebrar 60 casamentos entre cidadãs portuguesas e cidadãos estrangeiros e todos os envolvidos já foram identificados. “Grande parte” das pessoas detidas nesta operação são noivas — todas de nacionalidade portuguesa

Por oposição, “os clientes da rede são todos oriundos de países fora do espaço europeu” e quase todos estão a viver fora de Portugal, noutros países da União Europeia. José Ribeiro detalhou que a PJ vai agora recorrer à colaboração com autoridades europeias para “a sua detenção e interrogatório”.

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Uma rede estratificada e um plano com várias etapas

“Inicialmente, os cidadãos estrangeiros deslocavam-se a Portugal para se reunirem com os suspeitos, onde lhes era explicado que a forma mais fácil de se regularizarem e obterem autorização de residência seria com a abertura de empresa”, explica-se na nota da PJ.

Depois dessa primeira tentativa de regularização, que implicava procedimentos exigentes e muitas vezes inacessíveis, os suspeitos passaram a sugerir a realização de casamentos de conveniência com cidadãs portuguesas, não havendo qualquer relação entre os nubentes. O casamento acontecia mediante o “pagamento de elevadas contrapartidas pecuniárias” por parte dos imigrantes. Os pagamentos chegaram a dezenas de milhares de euros, detalhou José Ribeiro.

Esta rede criminosa estava dividida em três “estratos”, definiu o coordenador da investigação. O primeiro estrato são “os mentores e mentoras” que desenharam o plano, enquanto o segundo estrato eram as “angariadoras”, que procuravam mulheres disponíveis para casar com os imigrantes. O terceiro estrato era a “rede de noivas”, concluiu.

A operação envolveu 300 elementos da PJ, tendo sido cumpridos 58 mandados de busca para a recolha e apreensão de provas de natureza documental e digital, que a PJ considera “muito relevantes para o inquérito e ainda, para a identificação de outros suspeitos”. Os detidos — com idades entre os 23 e os 54 anos — serão agora presentes ao Ministério Público.

De acordo com o Diário de Notícias, a investigação começou em 2018 por suspeitas de regularização fraudulenta de imigrantes de origem argelina. Já o Correio da Manhã noticia que a rede recrutava mulheres portuguesas pobres para casar com os imigrantes.