Dois adolescentes, com 15 e 16 anos, foram condenados, esta sexta-feira, a uma pena de prisão perpétua pelo homicídio de Kelyan Bokassa. O jovem de 14 anos foi esfaqueado 27 vezes dentro de um autocarro público em plena luz do dia em Woolwich, no sudeste de Londres. O ataque, ocorrido a 7 de janeiro deste ano, foi descrito em tribunal como “premeditado e extremamente violento”.
De acordo com a imprensa britânica, Kelyan, um aspirante a rapper que usava o nome artístico “Grippa”, estava no piso superior do autocarro com dois andares, com o número 472, sentado no último banco, quando os dois jovens, armados com uma faca de grandes dimensões, se dirigiram até ele. As imagens de videovigilância reveladas durante o julgamento mostraram que o ataque foi praticamente imediato e sem aviso, tendo os agressores ferido a vítima com 27 golpes, “enquanto sorriam” não dando tempo para Kelyan se defender. O ataque não durou mais do que “13 a 16 segundos”, disse o juiz, tendo o rapaz gritado por ajuda. Os outros passageiros e o motorista tentaram socorrê-lo enquanto ele pedia: “Levem-me à minha mamã”. Mas em vão: a morte foi declarada no local.
Durante o julgamento no tribunal de Old Bailey, em Londres, o procurador Tom Little KC afirmou que os dois arguidos sabiam previamente da presença de Kelyan no autocarro, o que exclui qualquer hipótese de ter sido um “ataque espontâneo”. A acusação sublinhou que a natureza planeada do crime, aliado ao número de golpes feitos, evidencia um “nível de violência extrema“. Um dos adolescentes terá, de acordo com Little KC, atirado a faca ao rio Tamisa após o ataque, na tentativa de ocultar a arma do crime, que foi posteriormente recuperada pelas autoridades.
Os dois jovens foram detidos no dia 15 de janeiro, juntamente com uma mulher de 44 anos sob suspeita de ser cúmplice, após uma operação policial que incluiu a divulgação de imagens de videovigilância e a identificação pública dos suspeitos. No dia seguinte, foram formalmente acusados de homicídio e posse de arma branca. A 23 de maio, os dois admitiram a autoria do crime perante o tribunal.
A família de Kelyan esteve presente na audiência onde os adolescentes confessaram o homicídio. A mãe, Mary Bokassa, descreveu o filho como um jovem com humor e generoso, apaixonado por música, futebol e artes. “Ele era muito gentil e atencioso, tinha um grande sentido de humor e preocupava-se genuinamente com os outros”, afirmou em lágrimas.
“O ataque brutal e sem sentido contra Kelyan impactou profundamente os amigos, a comunidade e todos os que trabalharam incansavelmente para identificar, prender e processar os responsáveis. Espero que a família de Kelyan possa encontrar algum consolo com este resultado”, afirmou a inspetora-chefe Sarah Lee da Polícia Metropolitana londrina, em comunicado.
Os arguidos já tinham antecedentes por posse de arma branca e um deles estava, no momento do crime, a cumprir uma medida de acompanhamento juvenil por uma condenação anterior.
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