O Governo ucraniano passou a permitir, pela primeira desde a invasão russa de 2022, que homens com idades entre 18 e 22 anos possam legalmente deixar o país, numa alteração à lei de mobilização introduzida após o início da guerra (que obriga todos os homens adultos até aos 60 anos a permanecerem em território ucraniano).
O Presidente Volodymyr Zelensky disse que a medida, que entrará em vigor em breve, foi “acordada com o comando militar”. A primeira-ministra Yulia Svyrydenko explicou que a mudança também se aplica a cidadãos que se encontrem fora do país, e sublinhou a intenção de manter os laços dos jovens com a Ucrânia.
A fuga massiva de civis após o início da guerra afetou, sobretudo, mulheres e crianças: mais de 31% dos refugiados temporários na UE eram menores, segundo a Eurostat. Houve, também, alguns homens que conseguiram contornar a proibição de forma irregular.
A proibição de saída tem gerado muita polémica na Ucrânia, com casos frequentes de famílias separadas durante meses ou anos e um número crescente de menores enviados para o estrangeiro por pais para contornar a lei. Citado pelo Financial Times, Oleksandr Fedienko, deputado do partido do Presidente, “as turmas de finalistas [no ensino secundário] eram quase só de raparigas”, já que muitos rapazes são enviados para fora do país pouco antes de chegarem ao 18º aniversário.
Na Ucrânia, apenas homens a partir dos 25 anos podem ser efetivamente mobilizados para as forças armadas ucranianas – e Zelensky tem rejeitado pedidos ocidentais para baixar a idade mínima de mobilização, alegando que isso só seria produtivo se os países parceiros acelerassem significativamente a entrega de armas. Uma sondagem recente da agência Socis indica que 86,5% dos ucranianos são contra a redução da idade mínima de mobilização.
No início do ano, o Governo lançou contratos militares de um ano para jovens entre 18 e 24 anos, com incentivos financeiros de cerca de 1 milhão de hryvnias (20.000 euros, aproximadamente), mas a iniciativa não conseguiu colmatar a falta de tropas no terreno. Desde a invasão russa, estima-se que entre 60.000 e 100.000 soldados ucranianos tenham morrido, enquanto as perdas russas rondam os 200.000 a 250.000 – números que não são confirmados oficialmente.
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