Depois da reunião entre líderes membros da Coligação das Vontades em Paris esta quinta-feira, Emmanuel Macron confirmou que 26 países comprometeram-se com garantias de segurança para a Ucrânia no caso de um acordo de paz. Numa conferência de imprensa ao lado de Volodymyr Zelensky, o Presidente francês disse ainda que o grupo de países está pronto para coordenar com os EUA sanções à Rússia caso o Putin não aceite o cessar-fogo.
Durante a conferência de imprensa, Macron começou por dizer que a Ucrânia é “o lado da paz”, e que a Rússia é o agressor, afirmando que o país “tem agido com o consentimento de muitos parceiros por todo o mundo” ao tentar atrasar o processo de paz com sucessivos ataques contra a Ucrânia.
De acordo com o Presidente francês, 26 países estão prontos para enviarem tropas ou envolverem-se “por terra, pelo mar e pelo ar”, para “assegurar o povo ucraniano e manter o cessar-fogo assim que este for implementado, garantindo a paz”. O Presidente francês disse ainda que os responsáveis pelas defesas dos países que se reuniram esta quinta-feira planearam a base para as garantias de segurança para a Ucrânia, afirmando que tais “estão prontas” e confirmando o comprometimento dos 35 membros com o envolvimento político e militar. “O argumento chave é de que não há limitações para a defesa da Ucrânia”, afirmou Macron, destacando a necessidade de regenerar o exército ucraniano para ser possível resistir aos ataques russos e prevenir novos ataques.
Já Volodymyr Zelensky afirmou que fortalecer o exército ucraniano é “o elemento central das garantias de segurança”, com destaque para treinamento, produção e aquisição de armas. “As linhas de produção de armas europeias não estão a ser suficientes”, disse Zelensky, que pediu mais investimento no setor. O Presidente ucraniano diz ainda que o plano para as garantias de segurança inclui “passos concretos” e que os líderes estão agora a definir quais países vão ajudar em quais áreas, incluindo temas como cibersegurança e defesa aérea. Para o Presidente ucraniano, o elemento chave para acabar com a guerra é “privar a máquina de guerra russa de recursos”, e pediu mais sanções económicas a Moscovo.
Trump insiste em sanções económicas contra Rússia e China
Para chegar a um acordo de paz, os líderes europeus querem uma série de reuniões, a primeira delas entre Zelensky e Putin. “Se Moscovo não respeitar estas condições, teremos que tomar ações conjuntas com os EUA”, disse Macron que confirmou que os líderes falaram com Donald Trump e que os planos sobre o apoio norte-americano devem ser traçados nos próximos dias. “Também estamos prontos para coordenar os nossos esforços para travar a ofensiva russa”. Macron disse que Trump confirmou que se vai juntar à Coligação das Vontades e tomar medidas se a Rússia não aceitar o fim da guerra. “Não podemos permitir que a lei internacional seja violada. Não é só sobre a Ucrânia, mas sobre a segurança de todos nós”.
De acordo com a Reuters, citando uma fonte oficial da Casa Branca, durante a chamada telefónica desta quinta-feira Donald Trump pediu aos líderes que a Europa pare de comprar petróleo da Rússia. “O Presidente Macron e os líderes europeus ligaram para o Presidente Trump durante a reunião da Coligação das Vontades. O Presidente Trump enfatizou que a Europa deve parar de comprar petróleo russo que está a financiar a guerra — a Rússia recebeu 1,1 mil milhões de euros em vendas de combustíveis da UE em um ano”, afirmou a fonte. “O Presidente também enfatizou que os líderes europeus devem colocar pressão económica sobre a China por financiar os esforços de guerra russos”, disse ainda. “A reunião da Coligação das Vontades era sobre garantias de segurança para a Ucrânia. O Presidente Trump questionou a seriedade dos países enquanto continuam a alimentar a economia russa e a guerra. O Presidente deixou claro que esta não é uma guerra dele, e os europeus devem comprometer-se também”.
Países não se comprometem com envio de tropas
Apesar de garantir que 26 países estão comprometidos com as garantias de segurança, Macron não detalhou o que cada país está disposto a fazer pelo acordo de paz na Ucrânia. A reagir depois da reunião, alguns países já comunicaram as suas posições, e mostraram ressalvas sobre o envio de tropas. A Itália, por exemplo, não vai mandar tropas para a Ucrânia, disse Giorgia Meloni durante a reunião da Coligação das Vontades esta quinta-feira em Paris, da qual participou por videoconferência. De acordo com o Le Monde, a primeira-ministra italiana enfatizou “a relutância da Itália em enviar tropas para a Ucrânia”, destacando, entretanto, que o país poderia “apoiar um possível cessar-fogo por meio de iniciativas de monitoramento e treinamento fora das fronteiras da Ucrânia”.
Já a Alemanha sinalizou que está pronta para financiar e treinar as forças militares ucranianas, mas vai decidir depois sobre o envio de tropas, avança a Reuters. “A Alemanha vai decidir sobre um envolvimento militar quando os moldes do acordo ficarem claros”, disse um porta-voz do Governo alemão. “Isto quer dizer perceber o grau e a extensão do envolvimento norte-americano, assim como o resultado do processo de negociação, entre outros fatores”.