5:20 da manhã. Hora escolhida por José Luís Carneiro para arrancar o segundo dia oficial de campanha. O secretário-geral do PS juntou-se Ana Mendes Godinho, candidata socialista à Câmara de Sintra, para apanhar o comboio na Portela de Sintra em direção ao Rossio.

A campanha começa antes do nascer do sol e a hora escolhida não é um acaso. Ainda antes do comboio arrancar, o líder socialista trazia um aviso na ponta da língua.

“Há quem queira andar para trás na desproteção de pessoas que já têm atividades relativamente desprotegidas – e que têm vidas difíceis.” Um passo atrás que José Luís Carneiro considera “inadmissível” e que tem um nome – a reforma da lei laboral proposta pelo atual Governo.

O PS já apontou as alterações como uma “linha vermelha” para viabilizar o Orçamento do Estado. Hoje, numa viagem de pouco mais de meia hora de comboio e depois de ouvir alguns passageiros (cuja maioria trabalhava no setor das limpezas), insistiu nas críticas e acusou o ministério de Maria do Rosário Palma Ramalho de querer despenalizar o trabalho não declarado e assim “lançar milhares de pessoas na informalidade”, pessoas que todas as madrugadas viagem na linha de Sintra para trabalhar em Lisboa ainda antes do sol nascer.

Foi por isso que escolheu Sintra como ponto de partida, para estar ao lado da candidata e também da ex-ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social Ana Mendes Godinho, a responsável pela última reforma da lei laboral – a Agenda do Trabalho Digno.

Pelo menos é isso que o secretário-geral do PS se esforça por explicar aos passageiros que estão sentados nas carruagens do comboio que tem o Rossio como destino. É seguido de perto pela comitiva, que não traz bandeiras mas sim camisolas a condizer e sacos de pano dedicados a Sintra.

Às pessoas a que pergunta em que setor trabalham, José Luís Carneiro ouve a esmagadora de respostas como “limpeza”. Algumas das pessoas que dizem receber menos que o Salário Mínimo Nacional e que todos os dias têm como hora de entrada para o trabalho as seis da manhã.

Ao lado de Ana Mendes Godinho, apresenta-se como “José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido Socialista” e consegue receber respostas como “não me vou esquecer do PS” enquanto a candidata a Sintra distribui sacos de pano.

A Agenda para o Trabalho Digno é apresentada como trunfo eleitoral e a sua responsável assegura aos passageiros que os socialistas “lutaram muito” para garantir que as pessoas “são valorizadas” em setores como as limpezas.

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A bordo de um comboio da CP, José Luís Carneiro exige explicações ao Governo sobre “intenção de concessionar”

Paragem a paragem, na viagem entre a Portela de Sintra e o Rossio, vários candidatos socialistas nas eleições autárquicas juntam-se ao secretário-geral do PS. É o caso de Ana Sofia Antunes, candidata do PS à Câmara Municipal de Oeiras; de Vítor Ferreira autarca da Amadora e recandidato nestas eleições; e de Alexandra Leitão candidata do PS à Câmara Municipal de Lisboa.

É precisamente a bordo de um comboio da CP, que José Luís Carneiro é questionado pelos jornalistas sobre a intenção do Governo de avançar com concessões para os serviços da empresa pública. O líder socialista revela que o tema “preocupa” o PS e exige explicações a Miguel Pinto Luz: “Era muito importante que o Governo pudesse explicar o que quer dizer, o ministro Miguel Pinto Luz com a intenção de concessionar serviços da CP.”

O tema preocupa o PS e vai merecer o “acompanhamento” do partido, mas na Assembleia da República e não na campanha autárquica.

Já quanto à aprovação da Lei de Estrangeiros, que aconteceu ontem apesar do voto contra do PS, José Luís Carneiro rejeita qualquer sinal de fraqueza do Partido Socialista e fala em “oportunismo político” na forma como o Governo “agendou o tema” em plena campanha para as autárquicas.

E confrontado pelos jornalistas com as críticas de Luís Montenegro — que defendeu ontem que o problema dos bairros ilegais, construídos em barracas, era um problema de autarquias socialistas e comunistas — o secretário-geral do PS fala em declarações “inaceitáveis” e “infundadas” do primeiro-ministro, que têm como objetivo “criar clivagens desnecessárias” na política portuguesa.

Assegura que foi o Governo do Partido Socialista que conseguiu financiamento do PRR para combater a crise na habitação e deixa uma pergunta ao líder social-democrata:

“Ontem perguntei e espero que hoje possa responder. Nos terrenos do IHRU em Almada, terrenos do Estado, estão a ser construidas 800 habitações ilegais. A presidente da Câmara de Almada (a socialista Inês de Medeiros) já enviou comunicações formais ao Governo e até hoje não obteve qualquer resposta.”