Acompanhe o nosso liveblog sobre o conflito israelo-palestiniano
Duas pessoas da comunidade judaica da cidade britânica de Manchester morreram e pelo menos outras três ficaram gravemente feridas esta quinta-feira depois de um homem conduzir um carro contra uma multidão e esfaquear várias pessoas perto de uma sinagoga no norte da cidade. O suspeito foi morto pela polícia, noticia a BBC. O incidente ocorreu durante o Yom Kippur, o dia mais sagrado do calendário judaico, e já foi classificado pelas autoridades como ataque terrorista.
Ao final do dia, a polícia de contraterrorismo britânica revelou em comunicado a identidade do atirador: Jihad al-Shamie, um cidadão britânico de origem síria de 35 anos. O seu nome não aparecia em nenhuns registos de contraterrorismo, lê-se ainda. Três pessoas foram detidas, dois homens na casa dos 30 anos e uma mulher sexagenária. “Podemos confirmar que três suspeitos (…) foram presos por suspeita de prática, preparação e instigação de atos de terrorismo“, anunciaram as autoridades.
O alerta para o ataque foi dado pelas 9h31 e o esfaqueamento aconteceu em Crumpsall, no norte da cidade, levando ao encerramento de parte da Middleton Road, com a zona a permanecer isolada pelas autoridades locais.
“A polícia foi chamada para a Sinagoga da Congregação Hebraica de Heaton Park, na rua Middleton, Crumpsall, às 9h31, por um popular, a dizer que tinha testemunhado um carro a avançar contra as pessoas e [que] um homem tinha sido esfaqueado”, escreveu a polícia a rede social X.
Paramedics arrived at the scene at 9.41 and are tending to members of the public, currently four members of the public with injuries caused by both the vehicle and stab wounds.
Members of the public are asked to avoid the area while the police continue to deal with the incident.
— Greater Manchester Police (@gmpolice) October 2, 2025
Segundo a BBC, o suspeito nunca chegou a entrar mesmo na sinagoga, tendo sido parado pela equipa de segurança momentos antes. Uma testemunha contou à televisão que o rabi Daniel Walker, que estava a liderar a cerimónia religiosa, ficou calmo e levou os presentes para um sítio seguro.
O professor universitário Rob Kanter, que estava dentro da sinagoga no momento do ataque, contou que a cerimónia continuou mesmo depois de saírem primeiro para um hall nas traseiras e depois para um centro lá perto. Contou que nunca sentiu medo pela sua segurança e que todos estavam “calmos e dignos”.
Starmer promete proteger a comunidade judaica. Rei e rainha estavam “chocados e tristes”
O primeiro-ministro do Reino Unido, que estava a participar numa cimeira com líderes europeus na Dinamarca, reagiu ao ataque, anunciando o regresso antecipado ao país. “O ataque em Manchester, esta manhã, é absolutamente chocante. A nossa solidariedade está com as vítimas do ataque”, disse Keir Starmer, acrescentando que se iria reunir de emergência com o Governo assim que chegasse a Londres. “Posso adiantar que estão a ser enviados meios policiais adicionais para as sinagogas de todo o país e que tudo faremos para manter a comunidade judaica em segurança“, referiu, agradecendo “aos serviços de emergência pela sua rapidez de reação”.
Já na reunião de emergência, Starmer demonstrou a sua “tristeza” de que a comunidade judaica ainda tenha de “viver com estes medos”. “Por isso, prometo-vos que farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir a segurança que merecem, começando por uma presença policial mais visível, protegendo a vossa comunidade”, afirmou.
Também Carlos III e a rainha Camilla afirmaram estar “chocados e tristes pelo ataque em Manchester, especialmente num dia com tanto significado para a comunidade judaica”. “Os nossos pensamentos e orações estão com todas as pessoas afetadas por este terrível incidente e apreciamos muito as ações rápidas dos serviços de emergência”, lê-se na nota citada pela BBC.
O líder da comunidade judaica no Reino Unido, o rabi Ephraim Mirvis, disse na rede social X que “os corações” da comunidade estavam “partidos”.”Este é o dia que esperávamos nunca ver, mas que, no fundo, sabíamos que chegaria“, afirmou ainda.
Our hearts are shattered.
Emerging from the holy fast of Yom Kippur, British Jews are now grasping the full extent of today’s terror attack at the Heaton Park Synagogue in Manchester.
This is the day we hoped we would never see, but which deep down, we knew would come.
For…
— Chief Rabbi Sir Ephraim Mirvis (@chiefrabbi) October 2, 2025
“Há muito tempo que assistimos a uma onda implacável de ódio aos judeus nas nossas ruas, nos campus universitários, nas redes sociais e em outros locais – este é o trágico resultado”, acrescentou, dizendo estar a rezar para que “esta tragédia fortaleça a nossa determinação coletiva de enfrentar o antissemitismo”.
“Isto não é apenas um ataque à comunidade judaica, mas um ataque aos próprios fundamentos da humanidade e aos valores de compaixão, dignidade e respeito que todos nós partilhamos”, sublinhou ainda.
O autarca da região da Grande Manchester, Andy Burnham, numa conferência de imprensa citado pelo The Guardian, garantiu que estariam “sempre unidos” e nunca iriam permitir que “atos destinados a causar ódio, divisão nas nossas comunidades e violência tenham sucesso”
“Essa é a nossa mensagem esta noite para todos na Grande Manchester: não permitam que eles tenham sucesso. Respondam estendendo a mão, redobrando os esforços para trabalhar juntos e permanecer unidos nestes tempos difíceis.”, acrescentou.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, disse que o seu país lamentava o “ataque terrorista em Manchester”. “Como alertei na ONU: a fraqueza diante do terrorismo só traz mais terrorismo. Somente a força e a união podem derrotá-lo”, lembrou ainda.
Israel grieves with the Jewish community in the UK after the barbaric terror attack in Manchester. Our hearts are with the families of the murdered, and we pray for the swift recovery of the wounded. As I warned at the UN: weakness in the face of terrorism only brings more…
— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) October 2, 2025
Atualizado esta quarta-feira às 23h22 com novas reações e mais informações sobre o atirador e os detidos
[O que realmente se passou nas eleições presidenciais de 1986, as primeiras e únicas decididas a duas voltas? Uma história de truques sujos, acordos secretos, agressões e dúvida até ao fim. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]