O presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, manifestou esta sexta-feira “perplexidade” pelas posições contra o BRT (metrobus) manifestadas pela maioria dos candidatos à sua sucessão, considerando que chocam com o “consenso alargadíssimo” até aqui suscitado pelo projeto.
Em declarações aos jornalistas no final da assinatura do contrato para conceção e construção da primeira linha do BRT, Rio sublinhou que o projeto até suscitou “um consenso nem sempre fácil e muito pouco comum, diria até, entre uma câmara liderada pelo PSD e um governo liderado pelo Partido Socialista, para garantir o financiamento”.
“É um projeto que suscitou um consenso alargadíssimo, que mobilizou representantes políticos de várias forças partidárias e de toda a sociedade civil para que fosse concretizado o mais depressa possível”, referiu.
Rio acrescentou que, por isso, não compreende que “apenas na espuma de uma campanha eleitoral, para tentar capitalizar o descontentamento que uns e outros têm em relação ao resultado de determinados projetos ou ao impacto que eles possam criar num determinado território, se possa agora contradizer tudo aquilo que se andou a dizer até hoje”.
Para o autarca, que está de saída após 12 anos na liderança da Câmara de Braga, há, por parte de muitos dos candidatos, uma “contradição expressa de tudo aquilo que antes foi dito em torno deste projeto”.
A coligação PS-PAN anunciou, na quinta-feira, que vai interpor uma providência cautelar para tentar impedir a implementação do BRT.
Dos dez candidatos, apenas o da coligação Juntos por Braga e atual vereador, João Rodrigues, defende incondicionalmente o BRT, enquanto a larga maioria se manifesta claramente contra.
Para Ricardo Rio, parece estar a acontecer “um mero exercício de réplica” em relação ao que se está a registar no Porto.
“De repente, os candidatos a Braga acharam piada àquilo que se está a passar no Porto e então acham que se no Porto se está contra o metrobus, em Braga também se tem de estar contra o metrobus, e se no Porto metem providências cautelares, em Braga também se metem providências cautelares”, referiu.
“Eu acho que, se nós somos, de facto, já hoje a capital do Norte, não podemos andar a reloque dos outros apenas naquilo que são os maus exemplos. Temos de andar a reloque dos bons exemplos e isto não é claramente o caso”, acrescentou.
Sublinhou que este “não é um projeto que se esteja a decidir à boca das urnas, que se esteja a decidir à última da hora”, mas que já decorre há uns meses, e lamentou que as críticas tenham surgido em plena campanha eleitoral.
Disse mesmo que quem quiser uma opinião “isenta” sobre esta matéria deve contactar o antigo primeiro-ministro António Costa, o antigo líder do PS Pedro Nuno Santos e outros socialistas como Duarte Cordeiro, João Pedro Matos Fernandes, Jorge Delgado, ou José Mendes.
“Perguntem-lhes o que é que acham sobre o projeto do BRT de Braga e, sobretudo, já agora, o que é que acham sobre as reações que este projeto tem tido no concelho de Braga”, desafiou.
A elaboração do projeto e a execução da primeira linha do BRT de Braga, que vai ligar a estação de caminhos de ferro ao hospital, passando pela Universidade do Minho, foram adjudicadas por 32,6 milhões de euros, tendo sido assinado o contrato esta sexta-feira.
Em toda a sua extensão, terá 12 estações com uma “total conectividade com a rede regular dos Transportes Urbanos de Braga e, sobretudo, integração bilhética”.
A obra deverá implicar a demolição do viaduto da rotunda Santos da Cunha.
Cada viagem terá uma duração de 17 minutos.
No total, veículos incluídos, o investimento para esta primeira linha cifra-se em 75,5 milhões de euros, integralmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com o prazo de execução até 30 de junho de 2026.
O projeto do BRT de Braga contempla mais três linhas, ainda sem data para concretização.