As aveirenses Diva e Máxima dirigiram esta sexta-feira elogios ao porta-voz do Livre Rui Tavares, que participou numa pequena arruada pelas ruas da capital deste distrito, no qual o partido espera eleger para a autarquia pela primeira vez.

O percurso teve início na estação ferroviária de Aveiro, bem perto do centro da cidade, onde cerca de uma dezena de apoiantes do Livre — incluindo o candidato à Câmara Municipal, Bruno Fonseca, — se juntaram com bandeiras verdes decoradas com papoilas, símbolo do partido.

Se no início do percurso a comitiva recebeu algumas negas na entrega de panfletos, uns metros à frente o grupo não passou despercebido para Máxima, que abordou Rui Tavares com dois beijinhos.

“Como se chama?”, perguntou Tavares, com a aveirense a responder: “Máxima. Sou máxima na bravura e na doçura”.

Máxima agradeceu a Tavares por estar na sua cidade e disse “gostar muito do senhor doutor”.

Mais à frente, e com a voz um pouco embargada, Rui Tavares avistou uma farmácia e aproveitou a ocasião para comprar pastilhas para a garganta.

“Ai tão engraçado vê-lo ao vivo”, gracejou Diva, a farmacêutica de serviço, que deu alguns conselhos a Tavares, que “veio como freguês”, para cuidar da voz.

Diva disse conhecer o candidato do Livre por Coimbra, mas interrogada sobre se sabia quem era o cabeça de lista à Câmara por Aveiro, a profissional confessou que não.

Tavares tratou de resolver o assunto e chamou Bruno Fonseca para que Diva o conhecesse, deixando um panfleto no balcão antes de seguir caminho.

O Livre nunca elegeu nenhum deputado por Aveiro e esta é a sua estreia em eleições autárquicas no concelho, mas Rui Tavares espera que Bruno Fonseca chegue à vereação de uma Câmara até hoje governada por Ribau Esteves e disputada nestas autárquicas por dois irmãos

“Nós queremos muito que o distrito da Aveiro conte com o Livre como uma opção política, uma opção de representação. Aveiro é um distrito que tem um grande dinamismo social e económico, tem uma história de esquerda e de progressismo”, defendeu Tavares.

O porta-voz do Livre salientou que o partido rejeitou tratar o país como “chapa cinco” em todos concelhos e freguesias, decidindo estabelecer coligações à esquerda nalgumas localidades e noutras, como em Aveiro, apresentou-se sozinho “sem nenhum complexo”.

Ao lado de Rui Tavares em todo o percurso esteve José Pedro caçador, um rapaz de 14 anos que, contou o porta-voz do Livre, foi autor de uma proposta de alteração do Livre na discussão do Orçamento do Estado no ano passado, para que um medicamento SOS para a epilepsia passasse a ser comparticipado.

O PSD chumbou a proposta na discussão orçamental mas apresentou-a depois, “maldade” que Tavares lamentou porque impediu que José fosse o “autor mais jovem de sempre da lei do orçamento”.

De bandeira na mão, José Pedro disse que “o plano” é aderir ao Livre assim que puder, ou seja, aos 16 anos, e, com um discurso muito maduro para a sua idade, explicou aos jornalistas porque é do Livre.

“Pelos seus valores desde o europeísmo, à parte verde do partido que tem sido bastante esquecido por outros partidos de esquerda, que é onde mais se distancia de outros partidos. É por isso que sou do Livre e não de outro partido”, justificou.

Se as próximas eleições legislativas forem daqui a quatro anos, como previsto, José Pedro sonha integrar as listas do partido por Aveiro, quem sabe para entregar mais propostas de alteração a orçamentos do Estado.

Além de Bruno Fonseca, do Livre, são candidatos à Câmara de Aveiro Luís Souto (PSD/CDS-PP/PPM), Alberto Souto (PS), Miguel Gomes, pela IL, Diogo Machado (Chega), João Moniz (BE), Isabel Tavares (CDU), Ana Rita Moreira (PAN) e Paulo Alves (Nós, Cidadãos!).

A Câmara de Aveiro é atualmente liderada pelo social-democrata José Ribau Esteves, que, no seu terceiro mandato, integra o executivo com outros cinco eleitos da coligação PSD/CDS-PP/PPM e ainda três vereadores da parceria PS/PAN.