O Festival das Culturas que decorreu este sábado na Praça da Alegria, no Bonfim, serviu de maquete à cidade que o Bloco de Esquerda defende para o Porto, disse à Lusa o cabeça de lista do partido ao município. “É esta a cidade que queremos: uma cidade diversa, aberta, tolerante, que respeita toda a gente que quer cá viver e, sobretudo, que tem condições para receber todas estas pessoas muito úteis para a cidade, não só pelo trabalho mas pelo enriquecimento cultural que trazem”, declarou Sérgio Aires.
Na Praça da Alegria, sob chuva fraca, além de concertos e discursos, enchiam o espaço bancas que vendiam fruta, artesanato, livros, comida quente e doces, com vendedores de vários países: Portugal, Colômbia, Brasil, Marrocos, Palestina, Ucrânia, Bangladesh e Angola. “Sabemos que o momento político é diferente, mais difícil. Há uma onda de ódio a encher as nossas cidades, mas sabemos também que ela não vai ser para sempre. Tentamos dar o nosso contributo para que não falhe a resistência ao ódio“, declarou Marisa Matias, que representou a liderança nacional do partido no Porto, depois de ter passado pela campanha em Lisboa e Loures.
Durante a intervenção que fez perante dezenas de apoiantes, Sérgio Aires deixou duras críticas quer à candidatura do PS, encabeçada por Manuel Pizarro, quer à do PSD/CDS-PP/IL, de Pedro Duarte, por quererem continuar o legado de Rui Moreira, no primeiro caso, e de Rui Rio, no segundo.
Para o candidato bloquista, este evento “se calhar não seria possível” há uns anos, sendo-o agora devido à “relação de confiança” que nos últimos anos o partido, que tenta “proteger e integrar” estas pessoas, foi criando com as comunidades migrantes portuenses.
Marisa Matias pontuou o discurso com a solidariedade com o povo palestiniano, que também se notava nas palavras — e num cachecol à volta do pescoço — do candidato à Câmara do Porto. “Esta campanha está muito marcada pela Palestina, não só porque o genocídio continua, mas também pela detenção dos ocupantes da flotilha Global Sumud. Mesmo distante, preenche-nos os dias, e é uma questão de humanidade”, analisou Marisa Matias, pedindo que se esclareça “muito a sério o que se passou com os F-35” israelitas que pousaram na base açoriana das Lajes, motivo de críticas ao Governo.
Para a cidade, é “fundamental” que o BE possa manter o lugar no executivo, afirmou, para combater “as mesmas políticas” de PS e PSD, que apontou como responsáveis pela situação atual do concelho, sobretudo os “problemas acrescidos de pobreza, de habitação”. Já
Sérgio Aires afirmou querer continuar o trabalho feito desde 2021 – quando conseguiu um lugar na vereação, um feito inédito para o BE – nos territórios mais desfavorecidos e onde “as pessoas estão aflitas”. O objetivo, disse, é “fazer as pessoas perceberem muitos discursos populistas que têm ouvido”, sobretudo no tema da insegurança. “É muito estranho que partidos fundadores da democracia não tenham qualquer pejo em descer mais baixo ainda do que o que chega a extrema-direita”, acrescentou, numa crítica ao social-democrata Pedro Duarte.
Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU – coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro – coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto – independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).
O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE. As eleições autárquicas realizam-se a 12 de outubro.