O porta-voz do Livre, Rui Tavares, classificou este domingo como “irresponsável” que a líder da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, tenha associado o partido que lidera a “qualquer tipo de ação que ponha em causa a segurança ou a liberdade das pessoas”, no que concerne às manifestações pró-Palestina. E exigiu mesmo um pedido de desculpas à líder dos liberais, que foi recusado.
“O Livre não endossa, nem nunca endossou” ações de vandalismo, garantiu Rui Tavares numa ação de campanha em Cascais ao lado de Marisa Matias, que disse que apenas o “desespero” pode “tentar explicar” que a Iniciativa Liberal “esteja a tentar desviar as atenções das autárquicas”.
Em resposta, a líder da Iniciativa Liberal acusou, em Setúbal, o porta-voz do Livre de ter um “discurso sonso”, por defender políticas de “esquerda radical” ao mesmo tempo que quer convencer os eleitores de que não é extremista.
“Rui Tavares vem da esquerda radical, coliga-se com a esquerda radical, vota favoravelmente as propostas da esquerda radical e depois quer que os portugueses acreditem que não é da esquerda radical”, acusou Mariana Leitão, durante uma visita ao mercado de Setúbal.
Por sua vez, o líder do Livre assegurou que, em manifestações que ganham contornos violentos — como quando se “viola o espaço físico de um terceiro” —, o partido “condenou, lamentou e nunca endossou” este tipo de comportamentos. “Só um ato de desespero leva uma líder política a fazer isso”, lamentou Rui Tavares.
O responsável partidário que pediu mais “responsabilidade política e social” a Mariana Leitão, numa sociedade cada vez mais “polarizada”. “Uma liderança política que seja responsável não faz isto. Mariana Leitão devia pedir desculpa”, exigiu.
Ainda ao ataque contra os liberais, Rui Tavares pediu esclarecimentos: “O que a Iniciativa Liberal tem de fazer é explicar quantos funcionários municipais quer despedir”, numa alusão à iniciativa de Mariana Leitão de querer despedir mais funcionários públicos.
“Acho muito estranho que Mariana Leitão, que tem essa fasquia de exigência de querer despedir funcionários públicos, aquilo que quer reconduzir em Lisboa é Carlos Moedas”, destacou Rui Tavares, criticando a gestão camarária do atual autarca na área do lixo e da requalificação urbana.
Mariana Leitão está “ao lado de Carlos Moedas como se fosse o funcionário do mês e merecesse a recondução”, prosseguiu Rui Tavares, acrescentando que isso se deve ao autarca ter o “cartão partidário certo”.
Rui Tavares pediu também que não se “atire lama” nestas autárquicas e para não colocar em causa a reputação de partidos que “não têm nada a ver com ações” violentas e que distraem do essencial — “o que se está a passar em Gaza”.
Marisa Matias “não espera nada” da IL e esclarece que foi “imprudente” que grupo de manifestantes tenha continuado protestos
Marisa Marisa, que também estava em campanha em Cascais ao lado de Rui Tavares, salientou que os protestos deste sábado foram a maior “manifestação de solidariedade com o povo palestiniano”. “O que aconteceu foi um conjunto de pessoas que saiu do Martim Moniz ao Rossio e que manifestou solidariedade com o que se passa na Palestina, com o genocídio em curso e solidariedade com os detidos da flotilha.”
Marisa Matias explicou que, depois desta ação, houve um grupo de manifestantes que, a seu ver de forma “imprudente”, continuou os protestos. A bloquista espera também que o jovem de 18 anos que foi eletrocutado se “recupere totalmente”.
Quanto à Iniciativa Liberal, Marisa Matias atirou que “não espera nada”: “Os liberais vão continuar a arranjar todas as desculpas para, ao fim de dois anos, não terem dito uma palavra que condene o genocídio”.
Mariana Leitão ataca “sonsice” do discurso de Rui Tavares
Para Mariana Leitão, “o discurso sonso de Rui Tavares já não engana mais os portugueses”, que acusou Bloco, PCP e Livre de terem fomentado as manifestações pró-Palestina em Lisboa.
No sábado, “Rui Tavares percebeu as consequências do discurso que faz e do escalar de desacatos que trouxe”, salientou Mariana Leitão, apelando ao porta-voz do Livre e ao “seu parceiro de coligação, o Bloco de Esquerda, para que, no fundo, moderem o seu discurso para evitar este escalar de caos e de desordem a que se tem assistido nos últimos dias”.
No sábado à tarde e este domingo de manhã, Rui Tavares acusou a IL de estar desesperada e de não fazer críticas ao governo PSD/CDS, como sucedeu na polémica escala de F-35 israelitas nos Açores. “Rui Tavares não está habituado a que o confrontem com a sonsice do seu discurso”, mas “não me vai intimidar com esse tipo de insinuações e de abordagens”.
Sobre a passagem dos caças adquiridos por Israel aos EUA, Mariana Leitão considera que o caso “foi explicado pelo Governo” e “foi esclarecido”.
“Tratou-se de um erro processual administrativo”, foram “dadas as informações, o Governo comprometeu-se em alterar procedimento de administrativos” e “não há muito mais a acrescentar a esse caso”, resumiu a presidente da IL, que tem coligações com o PSD e CDS em duas dezenas de concelhos do país, nomeadamente Lisboa, Porto, Coimbra e Faro.
“A Iniciativa Liberal é muito diferente de todos os partidos, seja à direita, seja à esquerda” e “apresenta propostas concretas para o país”, com “uma abordagem muito diferenciadora”, salientou.