O candidato do PSD/CDS-PP à Câmara de Cascais assegurou este domingo, na Adroana, que, com ou sem maioria absoluta, convidará os outros eleitos para assumirem competências no executivo e apontou como prioridades a habitação pública e a mobilidade.
“Os eleitores são sempre soberanos e a coligação Viva Cascais, com uma coligação aberta e democrática como é, está disponível para governar de acordo com aquilo que os eleitores entenderem que deve ser a composição do executivo da Câmara Municipal de Cascais”, afirmou Nuno Piteira Lopes.
O atual vice-presidente da autarquia, que se candidata para suceder a Carlos Carreiras (PSD), que atingiu o limite de mandatos, falava à agência Lusa após uma ação de campanha na Feira da Adroana, freguesia de Alcabideche, recusando que se não repetir a maioria absoluta seja “uma derrota pessoal”, embora esteja “convencido de que essa maioria vai ser possível de atingir”.
O social-democrata, que estava acompanhado do recandidato à presidência da Assembleia Municipal, Pedro Mota Soares (CDS-PP), salientou, no entanto, que, apesar da atual maioria absoluta, há um vereador do PS com pelouros e reforçou que “com ou sem maioria” a sua “disponibilidade é convidar todos os eleitos para poderem participar na gestão do município”.
Piteira Lopes assume o legado de 24 anos de gestão PSD/CDS-PP, mas aposta numa “nova equipa, com uma nova missão, com novos desafios”, para explicar “aos eleitores a importância de não se perder todo este trabalho que foi feito” e continuar “a transformar Cascais”.
“A primeira grande mudança tem a ver com a aposta que estamos a fazer na habitação pública, porque comigo ninguém vai ser obrigado a sair de Cascais por não conseguir aceder ao mercado da habitação”, avançou, acrescentando que já estão em construção “500 fogos, de um total de 3.600 que vão ser construídos no âmbito do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]”, pois “a classe média baixa” também tem “o direito de viver em Cascais”.
Num percurso pela feira, o autarca foi cumprimentando feirantes e clientes, oferecendo folhetos e também canetas azuis da candidatura, pois como comentou um elemento da comitiva “a caneta é que faz a diferença” junto de potenciais eleitores.
Mais à frente, enquanto um elemento da comitiva pedia a outro “uma caneta das boas” para dar a um declarado apoiante, outro “encenava” um abraço ao candidato para uma televisão, uma feirante deu como certa a vitória da coligação, mas Mota Soares baixou o entusiasmo precoce: “O já cá canta é o nosso pior inimigo”.
A coligação foi-se cruzando com outras candidaturas, como a da CDU, do BE/Livre/PAN e do PS, mas foi perante a do independente João Maria Jonet, ex-PSD, que as palavras de ordem soaram mais alto, com “laranjinhas” e azuis a entoarem que “se o Piteira mostra os dentes, eles até caem…”.
Já fora do recinto, Piteira Lopes apontou outra prioridade, a mobilidade, destacando que Cascais avançou em 2022 com o transporte rodoviário gratuito, mas “a verdadeira gratuitidade só se vai atingir” quando se conseguir “ter, para além dos autocarros, também os comboios gratuitos para todos os que trabalham, moram ou estudam no concelho”.
Por isso, em articulação com Oeiras e Lisboa, propôs ao ministro das Infraestruturas a “possibilidade de os três municípios poderem vir a gerir do ponto de vista comercial, quer a Linha [de Cascais], quer a manutenção das próprias estações”, numa medida que poderá custar ao município cinco milhões de euros, a somar aos 12 milhões no transporte rodoviário.
Outra proposta passa pela criação de uma “nova faixa no corredor da A5 para transportes públicos, para motociclos e para veículos que transportem mais do que três pessoas”, em cada sentido.
O executivo de Cascais é composto por sete eleitos da coligação Viva Cascais (PSD/CDS-PP), três da coligação Todos por Cascais (PS/PAN/Livre) e um do Chega.
Candidatam-se às eleições autárquicas de dia 12, Nuno Piteira Lopes (PSD/CDS-PP), João Ruivo (PS), Alexandre Abreu (BE/Livre/PAN), João Rodrigues dos Santos (Chega), Carlos Rabaçal (CDU), Manuel Simões de Almeida (IL), João Maria Jonet (independente), António Pinto Pereira (independente, com apoio da Nova Direita e Nós, Cidadãos!), e Fábio Pereira (ADN).