Polarizador em vida, o nome de Charlie Kirk continua a dividir multidões mesmo depois de este morrer. Nas horas que se seguiram ao anuncio do assassinato do ativista conservador norte-americano, foram muitas as pessoas que usaram as redes sociais para lamentar, criticar ou celebrar o homicídio.
Por isso, o Pentágono decidiu abrir uma investigação interna a comentários publicados na internet sobre a morte do aliado do Presidente dos Estados Unidos da América Donald Trump. A averiguação já colocou debaixo da lupa cerca de 300 funcionários do Departamento de Defesa, revelou o Washigton Post.
O inquérito que, segundo a mesma fonte, já resultou em várias ações disciplinares respeita uma diretiva do Secretário da Defesa para silenciar as críticas a uma figura muito próxima da Casa Branca e que foi morto quando participava num evento organizado por si próprio.
Esta ordem do Secretário de Defesa Pete Hegseth tem levantado ainda mais alarmes entre os ex-funcionários e os democratas do Congresso que falaram ao jornal. Entendem que que tem havido uma viragem perigosa e inconstitucional na forma de atuar: em vez de manter a lealdade à Constituição, parece que há uma intenção de tornar os trabalhadores leais a um partido ou a um Presidente (Trump, neste caso).
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Hegseth e a sua equipa mais próxima defendem que o discurso a gozar/celebrar a morte de Kirk é “uma violação do juramento” e uma atividade partidária ilícita que poderá levar à demissão daqueles que partilharem mensagens enquadradas nesta tipologia nas redes sociais.
“É uma violação do juramento, uma conduta imprópria, uma traição aos norte-americanos que eles juraram proteger e perigosamente incompatíveis com o serviço militar”, escreveu nas redes sociais Sean Parnell, porta-voz do Pentágono. “Quem das nossas fileiras se alegrar com um ato de terrorismo doméstico, não está apto para servir o povo norte-americano”, disse também ao Washington Post.
O jornal norte-americano aponta uma contradição de Hegseth neste tema: se agora condena quem critica ou brinca com a morte de Kirk, no ano passado (quando ainda não era Secretário da Defesa) sorriu e ironizou quando, na Fox News, falavam sobre o ataque com um martelo dirigido a Paul Pelosi, marido de Nancy Pelosi, democrata e antiga Presidente da Câmara dos Representantes.
Homem que atacou marido de Nancy Pelosi com martelo condenado a prisão perpétua
“A situação não é a mesma. Um norte-americano foi assassinado. Não toleramos que militares ou civis celebrem ou brinquem com o homicídio de um compatriota norte-americano”, reagiu um porta-voz de Hegseth, desvalorizando a comparação.
A 30 de setembro, depois de o Secretário ter anunciado que haveria consequências para quem gozasse com Kirk, 128 funcionários de serviço militar foram investigados — a maioria dos casos sinalizados ainda estão sob revisão. Apenas 26 receberam repreensões administrativas (o que pode afetar futuras atribuições ou promoções), três receberam “punição não judicial” (o que pode levar a uma redução da classificação) e outros três serão expulsos.
Outros 158 funcionários civis foram investigados, sendo que dois foram despedidos. Pelo menos cinco ex-funcionários do Departamento da Defesa foram colocados sob investigação.
Peritos consultados pelo Washington Post revelam que o Artigo 88.º do Código Uniforme da Justiça Militar dos EUA, os militares podem ser processados por “palavras insultuosas” contra líderes militares ou civis, ou contra funcionários eleitos, mas não contra figuras públicas não eleitas (como é o caso de Charlie Kirk). “Não me consigo lembrar de nada semelhante”, desabafou um major-general reformado da Força Aérea.