No rescaldo das eleições autárquicas deste domingo, há diferenças de votos na casa das dezenas em várias câmaras do país, com a diferença menor — de apenas sete votos — a verificar-se numa autarquia da Região Autónoma da Madeira.
Em várias freguesias, por todo o país, mas com especial destaque para o norte, os duelos, sobretudo entre PS e PSD, acabaram mesmo com empates que fizeram com que ainda não existam eleitos para várias presidências de juntaa de freguesia.
Noutras localidades, a liderança do poder local ficou decidida por muito pouco, tão pouco como por apenas um voto, tanto em universos eleitorais reduzidos, como em freguesias com algumas centenas de eleitores.
Vila Flor e Nabo, Lindoso e Meirinhos. Onde se ganhou e perdeu literalmente por um voto
Na União das freguesias de Vila Flor e Nabo, em Bragança, o empate foi evitado pelo voto de um eleitor, que escolheu a coligação PSD/CDS-PP, que arrecadou 684 votos, mais um do que o PS, que contou com 683 votos. Neste caso, de um total de 1.438 votantes, quase todos de dividiram entre as únicas duas candidaturas disponíveis. 30 eleitores optaram por votar em branco e 41 votos foram considerados nulos.
Em Lindoso, no concelho de Ponte da Barca, Viana do Castelo, num universo eleitoral de 322 votantes, o quase empate dá-se novamente entre social-democratas e socialistas, mas desta vez são os últimos a levar a melhor por um voto. O PS ganhou com 152 votos e o PSD perdeu com 151 votos. O terceiro lugar é do Chega, que nesta freguesia arrecadou 10 votos.
No concelho do Mogadouro, a liderança da freguesia de Meirinhos ficou decidida igualmente por um voto. O PS venceu no combate renhido com 115 votos, contra 114 do PS.
Na Câmara de Santa Cruz das Flores ganhou-se (e perdeu-se) por sete votos
Não há nenhuma câmara do país em que a diferença de votos entre vencedor e vencido tenha sido tão pequena. Na autarquia de Santa Cruz das Flores, na Região Autónoma dos Açores, são apenas sete os votos que separam o Movimento Cívico pelo Concelho do segundo classificado, o PSD.
O vencedor conseguiu 392 votos, o vencido 385 votos e o terceiro lugar também se aproxima do segundo — PS, que detinha a Câmara, obteve 305 votos.
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A freguesia da Moita em que apenas quatro votos definiram o destino de Baixa da Banheira e Vale da Amoreira
Na União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira votaram pouco mais de 11 mil pessoas e foram apenas quatro os votos que deram a vitória à CDU, que arrecadou 29,42 % da votação, o que corresponde a 3.260 votos. Logo a seguir ficou o PS, com 29,38 % da votação, que representa 3.256 votos. Por menos de cinco votos, esta foi a única freguesia do concelho em que os socialistas não venceram.
Na capital portuguesa, 11 votos fizeram com que a CDU perdesse um vereador para o Chega
Entre vencedor e vencido, em Lisboa há uma diferença de mais de 20 mil votos. Mas o resultado renhido verificou-se entre o terceiro e quarto classificados. Na capital, o Chega arrecadou 26.780 votos, o equivalente a 10,10% da votação, e que lhe valeu dois vereadores.
Colado ao partido de André Ventura, e tão perto quanto a distância de 11 votos está a CDU, que obteve 26.769 votos, o que corresponde a 10,09% da votação. Foram estes ínfimos votos que determinaram a perda de um mandato aos comunistas. Não conseguiram reeleger a vereadora Ana Jara por menos de uma dúzia de votos, num município onde mais de 265 mil foram às urnas. Só João Ferreira ficou então eleito.
A autarquia de Sesimbra, em que três partidos ficaram taco a taco
No concelho de Sesimbra, 75% dos votos, num universo de 24.399 votantes, ficam distribuídos, quase em igual proporção, por três candidaturas. A que levou a melhor foi a do CDU, com 6.421 votos, o que corresponde a 26,32% do total da votação. Mas logo depois surge o Chega, com 6.274 votos e 25,71% da votação. Ou seja, entre o primeiro e segundo lugar há uma diferença de 147 votos. Mas o número de votos que separam o segundo classificado do terceiro, o PS, é ainda menor. Entre o Chega e os socialistas há apenas 132 votos de diferença.
Câmara de Loulé manteve-se socialista, mas ficou decidida por menos de 100 votos
A noite foi de vitória para o socialista Telmo Pinto a sul, em Loulé, mas por muito pouco. Foram apenas 79 os votos que lhe garantiram a vitória contra a candidatura de Hélder Martins, da “Coligação Fazer Melhor”, que reúne PSD, IL e CDS/PP. Em número de mandatos as duas candidaturas igualaram-se, quatro para cada um, sendo que o PS contou com 11.836 votos e a coligação à direita com 11.757 votos.
A pequena diferença, que não chega à uma centena de votos, é ainda mais relevante tendo em conta o número de eleitores inscritos no concelho algarvio — 63.835 — e 0 de votantes — 31.051. A câmara já era socialista, mas em 2021 o resultado foi bem mais “à larga”, o PS tinha ganhado a autarquia com maioria absoluta, conquistando mais de 55% do eleitorado contra uma coligação idêntica à direita.
A junta de freguesia em Palmela que foi decidida entre o Chega e a CDU por 15 votos
Na freguesia da Quinta do Anjo, no concelho de Palmela, há 12.521 eleitores inscritos, 6.448 que foram votar e desses mais de seis mil, apenas 15 que se tornaram decisivos na corrida ao órgão de poder local. O Chega, por uma dezena e meia de votos dos 1.737 que arrecadou, ganhou a freguesia, uma das 13 que passa a liderar em todo o país.
Em segundo lugar ficou a CDU, com 1.722 votos e não muito distante, logo a seguir, o PS com 1.644, com uma diferença ainda na casa das dezenas, de 78 votos.
Em Caminha, 30 votos decidiram o destino da liderança do concelho
De 4.579 votos para 4.549. Só foram 30 os votos que deram a vitória à coligação PSD/CDS-PP/PPM no concelho de Caminha, que conquistou 43,34 % do eleitorado, de um total de 10.566 votantes.
O PS conseguiu pouco menos, 43,05 % da votação. Mais de 85% dos votos foram atribuídos a estes dois partidos, sendo que o Chega surge a uma distância muito grande dos dois primeiros — conseguiu 742 votos, menos de um décimo do total da votação.
No Porto, onde mais de 115 mil votam, Pedro Duarte ganhou por menos de dois mil votos
Devido ao grande universo de eleitores — mais de 115 mil — pode não parecer tão caricato, mas o caso do resultado renhido no Porto não é de somenos. Pedro Duarte ganhou por pouco, exatamente 1.991 votos a Manuel Pizarro. Juntos arrecadaram quase 84 mil votos e cada um ficou com seis mandatos de vereação na cidade. O 13º mandato foi para o Chega, que conquistou pouco mais de 8% da votação, num total de 9.455 votos.
Em Braga votaram 107 mil pessoas e a vitória à direita foi decidida por 276 votos
Em Braga, o número de eleitores a votar não ficou muito atrás do do Porto. Cerca de 107 mil pessoas, de um universo de 168 mil eleitores, deslocaram-se às urnas, e é caso para dizer que cada voto contou para a vitória da coligação PSD/CDS-PP/PPM, que elegeu para a presidência João Vasconcelos Barros.
Venceu com 26.378 votos e 24,50 % da votação, mas apenas 0,25% separou o primeiro lugar do segundo. A coligação PS/PAN arrecadou 26.102 votos, o correspondente a 24,24 % do total. A diferença, para as contas finais, foi de 276 votos.
Tão renhido que não há resultado. As quatro freguesias que empataram a norte
Na freguesia de Arcas, no concelho de Macedo de Cavaleiros, Bragança, a eleição para a Assembleia de Freguesia resultou em exatamente 100 votos para a coligação PSD/CDS-PP e os mesmos 100 votos para o PS. Num universo de 388 eleitores que poderiam votar, 206 deslocaram-se às urnas e só cinco deles foram considerados nulos, sendo que um foi um voto em branco.
Num universo de eleitores maior, em Vila Marim, Vila Real, o empate deu-se entre as mesmas forças políticas. PSD, desta vez sem coligação com o CDS-PP, arrecadou 542 votos. Exatamente o mesmo número de eleitores, 542, de um total de 1.192 que foram votar, escolheram a candidatura do PS.
Em Lamoso, no concelho de Paços de Ferreira, amanheceu sem que tenha sido eleito um novo presidente para a Junta de Freguesia da localidade. O Movimento Independente por Lamoso (MIL) arrecadou 397 votos, mas o mesmo aconteceu com a coligação PSD/CDS-PP. O empate decorreu com 1.153 votantes a participar no ato eleitoral.
No concelho de Monção, em Viana do Castelo, 181 eleitores votaram para eleger o presidente da Junta de Freguesia de Lara, mas um empate fez com que ainda não exista um resultado final. O movimento Juntos por Lara (JPL) recebeu 85 votos, os mesmos que arrecadou o PSD. Neste caso, houve seis eleitores a votar em branco e outros cinco a ver o seu voto anulado.