“Ninguém compreenderia outra atitude do PSD que não fosse de grande satisfação“. A frase é da primeira vice-presidente do partido, Leonor Beleza, e espelha o contentamento do PSD com os resultados das autárquicas deste domingo, que deram uma vitória ao partido em todos os parâmetros possíveis. Para os sociais democratas, o mérito não é só dos candidatos locais: as eleições mostram também uma “confiança”  clara no Governo.

A nacionalização do resultado das eleições começou a ser feita logo na noite de domingo, e no PSD tira-se uma conclusão: a marca AD está mesmo a ficar cada vez mais forte (enquanto, ali ao lado, um PS desorientado se tenta recompor do tombo das últimas eleições legislativas) e as autárquicas também são prova dessa consolidação. Por isso, no final da Comissão Permanente de balanço destas eleições, num hotel lisboeta, Leonor Beleza falou do “fator de caráter nacional” que também contribuiu para os bons resultados do PSD.

Admitindo, em declarações aos jornalistas no final da reunião, que há fatores “fortíssimos” a ter em conta a nível local, Beleza colocou-os ao mesmo nível de importância que os fatores nacionais: “Acreditamos que também há um fator de caráter nacional, de confiança em quem esta a governar o país, no primeiro-ministro, no Governo e nas suas políticas”, por estar a eleger “prioridades que os cidadãos aceitam como seus interesses”.

Além disso, a “satisfação” e sentimento de “responsabilidade” do PSD perante estes resultados também se deve ao facto de as vitórias do PSD se estenderem “de uma forma nova” pelo território nacional, e não apenas em certas zonas — provando que o partido está com uma “inserção profunda e real” nas comunidades e instituições locais — e trazerem à política autarcas novos e jovens. Tudo isto “traduz um projeto de caráter nacional”, regozijou-se.

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Quanto ao futuro e à composição dos executivos, Beleza confirmou que não existe qualquer indicação geral para os autarcas do PSD fazerem essas escolhas (no PS, José Luís Carneiro deu indicação para que não haja acordos com o Chega), ficando essa decisão nas mãos de cada um: “Não há uma indicação geral sobre acordos de governação, sobre como eleitos devem proceder”, tendo em conta que as realidades são “eminentemente locais” e por isso os eleitos devem “encontrar maneira de governar”. 

Quanto ao que correu mal e aos bastiões perdidos (caso de Viseu, sendo que a derrota em Coimbra, por exemplo, também surpreendeu), Beleza admitiu que está a ser feita uma “reflexão” sobre esses resultados. E não adiantou para já informações sobre quem poderá ser o próximo presidente da Associação Nacional de Municípios, sendo que Pedro Santana Lopes, reeleito na Figueira da Foz, já disse que não exclui uma candidatura.