António José Seguro agradeceu, esta quinta-feira, o eventual apoio do Partido Socialista à sua candidatura presidencial, que irá ser proposto por José Luís Carneiro e Carlos César na Comissão Nacional de domingo, notando que ainda não houve uma decisão, mas que “quanto mais apoios tiver, melhor”. Nessa nota, insistiu que ao contrário de outros “candidatos que são extensões dos partidos”, quer “representar todos os portugueses”, voltando a optar por afastar-se de rótulos à esquerda ou a direita e lembrando que reúne apoios de todos os espectros políticos.

“A minha candidatura foi apresentada há quatro meses e tem vindo a granjear cada vez mais apoios à esquerda, à direita, ao centro, de pessoas sem filiação partidária, e é aí que eu vou continuar”, explicou o candidato a Belém, no lançamento do Movimento Futuro Seguro, que ocorreu na Fundação Cidade de Lisboa. “É uma candidatura aberta, plural, dirigida a todos os democratas, todos os humanistas, todos os progressistas”, defendeu. Uma prova dessa abrangência da candidatura foram alguns dos jovens que se apresentaram na primeira fila do evento, onde se incluíram militantes do CDS e da JSD, além de outros afetos ao PS, partido que Seguro liderou.

Agora que o país virou a página das eleições autárquicas, Seguro quis dar o pontapé de saída nos meses de pré-campanha para as presidenciais explicando que se candidatou porque não gosta do que vê em Portugal: “Sinto um Estado a abrir muitas fendas, uma sociedade a deslaçar e sinto uma democracia com uma camada muito fina”. “Não quero que daqui a 10 anos o meu país esteja pior do que hoje está e eu sentir-me culpado de nada ter feito e ter ficado no sofá”, confessou.

Por isso mesmo, apelou ao envolvimento de todos nas eleições, explicando que “uma campanha presidencial não é uma campanha de partidos”. “Esta é a única campanha em que os partidos não se candidatam. É certo que há candidatos que são extensões dos partidos. Não é o meu caso”.

Já sobre as provocações (sem destinatário direto) de Gouveia e Melo, que disse que o Presidente da República não pode ser “catavento, hesitante ou populista”, Seguro não quis comentar, mas não resistiu em deixar uma bicada: “É normal que o candidato Gouveia e Melo me queira atacar, mas eu pergunto: sobre o país, ele disse alguma coisa? Se ele sobre o país não disse nada, não tenho nenhum comentário a fazer. A minha candidatura é sobre o país, não é sobre os outros candidatos.”

A pensar no futuro e nos jovens, em altura de guerra na Europa e no Médio Oriente, Seguro trouxe a este evento o tema do serviço militar obrigatório, frisando que defende uma conceção “mais profissional” das forças armadas e que não quer que os jovens sejam “carne para canhão”. “Há 100 anos, agarrava-se nas pessoas e metia-se uma espingarda nas mãos. Morreram milhões e milhões de pessoas. Eu não quero que, em Portugal, os jovens sejam carne para canhão”.

“E, por isso, se temos que defender o nosso país, há formas mais inteligentes de o fazer. Mas também quero dizer uma coisa muito simples: a melhor defesa que nós temos é investir na paz. E a resolução dos problemas devem ser feitos por via pacífica”, rematou.

[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]