Uma investigação da Comissão Internacional Independente sobre Ucrânia das Nações Unidas revelou que a Rússia tem usado drones para forçar civis na Ucrânia a fugirem de casa, a levá-los para as linhas da frente ou mesmo a atacá-los diretamente, noticiou a Reuters esta segunda-feira.

O relatório da Comissão Internacional Independente sobre Ucrânia vai ser apresentado na Assembleia-Geral da ONU esta semana e acusa Moscovo de cometer “crimes de guerra” contra civis. Segundo o New York Times, a prática de “caçar” civis é descrita pelos ucranianos como um “safari com drones“.

De acordo com a agência, que teve acesso ao texto, milhares de civis foram perseguidos por longas distâncias por drones com câmaras que, por vezes, atacava com explosivos os fugitivos. Desde 2024, conta a CNN, só nas regiões de Dnipropetrovsk, Kherson e Mykolaiv, mais de 200 civis foram mortos em ataques com drones e os feridos superam os dois mil.

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As perseguições aos civis, lê-se no relatório, “foram cometidas como parte de uma política coordenada para expulsar civis desses territórios e constituem um crime contra a humanidade de transferência forçada de população“. Nas zonas onde estes ataques são mais comuns, a população já fugiu, explica ainda o documento, segundo a CNN, deixando algumas zonas “quase totalmente vazias“.

Todos estes dados foram recolhidos pelos investigadores através de entrevistas a 226 pessoas, incluindo “vítimas, testemunhas, trabalhadores humanitários e vídeos verificados publicados nas redes sociais.

Uma mulher, da região de Kherson, descreveu que foi perseguida por um drone em agosto do ano passado quando estacionava o carro em casa, tendo ficado ferida após ser atacada enquanto corria para se refugiar na garagem, contou a CNN. Mais tarde, dois drones chegaram e atacaram a casa, obrigando-a a fugir.

“Não há dúvida de que estes operadores de drones agem com intenção”, acusou Erik Mose, presidente da comissão que realizou a investigação, explicando que estas aeronaves “estão realmente a perseguir seres humanos, seja nos seus jardins, em casa ou na rua”.