Um relatório do gabinete do inspetor-geral do Departamento de Estado dos EUA concluiu que de Israel cometeu “centenas” de violações das leis norte-americanas para os direitos humanos em Gaza, noticiou o Washington Post. Segundo o jornal, esta é a primeira vez que Washington levanta a possibilidade de ações israelitas estarem a quebrar as Leis Leahy, que proíbem os norte-americanos de oferecer ajuda militar a países que cometem violações graves dos direitos humanos.
No relatório confidencial, divulgado ao jornal por fontes próximas e concluído poucos dias antes do cessar-fogo mediado pelos EUA ter sido alcançado, as conclusões do inspetor-geral “levantaram dúvidas sobre as perspetivas de responsabilização de Israel pelas suas ações, dado a grande acumulação de incidentes e a natureza do processo de revisão” — processo este que pode demorar “vários anos” a ser concretizado.
Dois oficiais norte-americanos indicam que o relatório mostra ainda qual é o protocolo para analisar se um exército estrangeiro que recebe ajuda dos EUA cometeu ou não uma violação enquadrada nestas leis e denuncia que, no caso de Israel, o processo burocrático é muito mais apertado que para os outros países — um procedimento desenhado por ambos os partidos norte-americanos ao longo dos tempos e não um exclusivo da Administração Trump.
Enquanto para os outros países, a posição de um funcionário é suficiente, no caso de Israel é necessária a realização de um fórum de várias altas entidades e elementos do Departamento de Estado, incluindo forças mais favoráveis à política do país, tais como a embaixada norte-americana em Israel.
Todas estas forças têm de “chegar a um consenso sobre se aconteceu uma violação grave dos direitos humanos” e, depois, consultar o governo israelita para perguntar se tomaram alguma ação para abordar o assunto. O grupo pode ainda sugerir que apenas uma unidade das IDF seja afastada de receber ajuda norte-americana. Porém, o secretário de Estado tem a última palavra sobre se aceita ou não.
Josh Paul, antigo funcionário do Departamento de Estado, revelou ao Washington Post que este sistema é tão esdrúxulo que “à data, os EUA nunca suspenderam qualquer assistência a nenhuma unidade israelita, apesar das provas evidentes”.
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