A entrega de um dividendo de mil milhões de euros aos contribuintes, prevista no Orçamento do Estado, é “compatível” com os lucros da Caixa Geral de Depósitos neste exercício de 2025, disse Paulo Macedo nesta quinta-feira. Só nos primeiros nove meses do ano foram praticamente 1.400 milhões em resultados líquidos, revelou o banco, admitindo até que poderia estar em condições de entregar um dividendo ainda maior, se houvesse essa intenção e se isso fosse aprovado pelos reguladores. A venda de uma participação na Águas de Portugal – à Parpública – irá ajudar aos resultados anuais.
Essa é uma operação que, afirmou o presidente da comissão executiva do banco público, está “aprovada” mas que só será registada nas contas depois de cumpridos os formalismos associados a essa venda. Questionado na conferência de imprensa, Paulo Macedo não revelou qual o valor pelo qual a participação de 19% na Águas de Portugal será vendida mas reconheceu que irá haver uma mais-valia para o banco público, face ao que está avaliado no balanço.
“Em breve” essa operação deverá estar concluída e isso será publicamente anunciado.
A operação foi aprovada pelo Ministério das Finanças e há um acordo de entendimento entre a CGD e a Parpública. Consultada, a Águas de Portugal também deu parecer favorável e todos os órgãos da Caixa, uma vez que se trata de uma transação com parte relacionada, todos os pareceres foram feitos e foram dados positivamente”.
Em entrevista recente ao Jornal de Negócios, o ministro das Finanças disse que “a CGD pagou, em 2024, 825 milhões de euros [em dividendos]. Pagou este ano, em 2025, 850 milhões. Portanto, mil milhões praticamente não se afasta de forma significativa”. O ministro das Finanças acrescentou, embora a operação não estivesse concluída, que a “Caixa fez uma venda de participação das Águas de Portugal à Parpública, o que ajuda no balanço porque as regras do BCE indicam que os bancos não devem ter participações não financeiras, os lucros da Caixa estão a aumentar e em conversa com o dr. Paulo Macedo estabelecemos que a Caixa teria a capacidade de pagar mil milhões de dividendos em 2026”.
A Parpública, que agora deverá absorver o resto do capital, tem os seus 81% (que já detém) avaliados em 540 milhões de euros no balanço da empresa, o que dá um valor à Águas de Portugal de 660 milhões de euros, o que daria à participação da Caixa um valor de 126,6 milhões. Não é conhecido o valor que o banco tem registado no balanço. A Parpública ficará, assim, com a totalidade da empresa pública de águas que este Governo já determinou que não será vendida. No âmbito do grupo de trabalho constituído pelo Governo para estudar as participações do Estado que podiam ser alvo de alienação ficaram logo excluídas a Caixa Geral de Depósitos, o grupo Águas de Portugal, a RTP e a Companhia das Lezírias, por serem estratégicas.
Caixa diz estar “consciente de que é responsável por mais de 85% dos dividendos recebidos pelo Estado”
O lucro de 1.399 milhões é um valor que Paulo Macedo diz ser “compatível” com a previsão de um pagamento de aproximadamente 1.000 milhões de euros em dividendos que está plasmada no Orçamento do Estado. O presidente da comissão executiva admite, até, que o banco público poderia conseguir distribuir um dividendo ainda maior – algo que estaria sempre sujeito à aprovação por parte dos reguladores do setor.
Estamos conscientes de que estamos numa fase em que a Caixa é responsável por mais de 85% de dividendos que o Estado arrecadará”, afirma Paulo Macedo.
Os lucros representam uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 24,9% em termos brutos. “Os próximos anos ao nível da rentabilidade não serão semelhantes” aos últimos anos.
Este desempenho foi sustentado pelo crescimento do volume de negócios, que contribuiu para mitigar os efeitos adversos da redução das taxas de juro sobre a margem financeira do Grupo Caixa. O enquadramento macroeconómico favorável e os elevados níveis de recuperação de crédito continuaram a suportar a redução das provisões e imparidades durante o período”, afirma a CGD.
A atividade doméstica foi responsável por 1,29 mil milhões de euros do resultado líquido consolidado, enquanto a atividade internacional contribuiu com 106 milhões de euros, indica a Caixa Geral de Depósitos.
No futuro estamos à espera de resultados menores, porque o impacto das taxas de juro já se reflete, mas ainda vai haver um repricing portanto para o ano ainda vamos ter alguma redução das margens”, acrescentou o presidente da comissão executiva do banco público.
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