Donald Trump é o primeiro vencedor de sempre do recém-inaugurado Prémio da Paz da FIFA. Essa honra foi concedida ao chefe de estado durante a cerimónia do sorteio dos grupos para o Campeonato do Mundo de futebol de 2026, que acontece nos EUA, no Canadá e no México.
Antes do momento que dava razão a esta cerimónia — o dito sorteio das seleções nacionais que vão disputar o Mundial de 2026 —, o evento a decorrer no Centro de Artes John F. Kennedy, em Washington, foi marcado pela primeira entrega de sempre deste troféu, descrito pela FIFA como destinado a “recompensar indivíduos que realizaram ações excecionais e extraordinárias em prol da paz e, ao fazê-lo, uniram pessoas em todo o mundo”.
O momento aconteceu quando tanto o presidente da FIFA, Gianni Infantino, quanto o dos EUA, Donald Trump, subiram ao palco, com o dirigente italo-suíço a dar também uma medalha e um certificado ao líder norte-americano pelas suas ações para “promover a paz e a unidade em todo o mundo”.
“Este é o seu prémio, este é o seu prémio da paz”, afirmou Infantino a Trump, numa aparente alusão ao facto do presidente dos EUA não ter recebido o Prémio Nobel da Paz — concedido à ativista venezuelana María Corina Machado —, apesar da sua campanha para obter este galardão.
“É isso que queremos de um líder — um líder que se preocupe com as pessoas”, continuou, considerando que o Chefe de estado tem conseguido a paz “à sua maneira, mas conseguiu-a de uma forma incrível”. Recorde-se que já antes Infantino tinha elogiado Trump publicamente pelo que considerou ser o seu papel nas negociações de cessar-fogo na Faixa de Gaza. “Se não fosse o presidente Trump, não haveria paz”, afirmou.
“É uma das maiores honras da minha vida. Salvámos milhões e milhões de vidas”, reagiu Trump ao receber estes louvores e lembrando exemplos da sua atuação. “O Congo é um excelente exemplo disso mesmo. Dez milhões de pessoas morreram e antes que outros dez milhões de pessoas morressem, conseguimos intervir. Se pudermos fazer isso noutros países, como Índia ou Paquistão, e prevenir que outros tantos milhões não sofram o mesmo. É uma grande honra estar aqui com o Gianni [Infantino]. Este é um grande tributo a todos. Alcançámos números que nem o Gianni esperava”, declarou.
Trump aproveitou ainda para agradecer não só à sua mulher, a primeira-dama Melania, como à Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e ao primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, pela sua “coordenação, amizade e relacionamento” na organização do Mundial de 2026.
A atribuição deste prémio reveste-se de polémica dado que a organização que tutela o futebol a nível internacional tem sido tradicionalmente avessa a manifestações de apoio político — ao ponto de proibir tarjas e ações simbólicas por parte das próximas seleções e respetivos adeptos, sob pena de multas e outras penalizações.
A própria relação de proximidade entre Infantino e Trump tem levantado ondas justamente pelo diminuir dessa equidistância que a FIFA professara até à presidência do dirigente italo-suíço e à aproximação que este promoveu à Casa Branca desde 2018, ano em que a organização escolheu os EUA como o principal país organizador do Mundial 2026.
O maior exemplo dessa proximidade deu-se em outubro, quando os dois apareceram juntos numa cimeira no Egito, logo após o cessar-fogo entrar em vigor em Gaza, sob o pretexto de que a FIFA vai trabalhar com a Federação de Futebol palestiniana para recuperar o desporto na Faixa de Gaza. Além disso, como aponta o The Guardian, a FIFA também reforçou os seus laços com o círculo íntimo de Trump ao nomear a sua filha, Ivanka, para o conselho de uma iniciativa educacional com um orçamento de 100 milhões de doláres, financiado em parte pelas receitas da venda de bilhetes para o Mundial de 2026.