Acompanhe o nosso liveblog sobre a guerra na Ucrânia
Um alegado ataque ucraniano a uma das residências oficiais do Presidente russo veio ensombrar as negociações de paz na Ucrânia com Zelensky a dizer que se trata de uma manobra de Moscovo e Donald Trump a hesitar entre a irritação de Putin e o desmentido do homólogo de Kiev.
Foi Sergey Lavrov, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, quem começou por acusar, esta segunda-feira, a Ucrânia de tentar atingir a residência oficial do Presidente russo, Vladimir Putin, na região de Novgorod, noticiaram a agência TASS e a Interfax.
“Na noite de 28 para 29 de dezembro de 2025, o regime de Kiev lançou um ataque terrorista usando 91 drones de longo alcance contra a residência presidencial russa na região de Novgorod”, disse o ministro aos jornalistas em Moscovo.
O chefe da diplomacia russa afirmou que “todos os drones foram destruídos pelos sistemas de defesa aérea das Forças Armadas Russas” e garantiu não haver “relatos de vítimas ou danos causados pelos destroços dos drones”.
Apesar de não existir qualquer prova ou evidência visual ou objetiva do ataque, o Ministério da Defesa russo confirmou a acusação de Lavrov e, no Telegram, relatou que durante a madrugada foram intercetados 49 drones na região de Bryansk, um em Smolensk e 18 na região de Novgorod. Entre as 7h00 e as 9h00 locais, foram intercetados mais 23 drones.
Perante a alegada ação de Kiev, Moscovo disse que vai reconsiderar a sua posição nas negociação de paz. “Gostaríamos de salientar que este ataque foi realizado durante intensas negociações entre a Rússia e os Estados Unidos para resolver o conflito ucraniano”, disse Lavrov, acrescentando que “tais ações imprudentes não ficarão impunes. Os alvos dos ataques retaliatórios das Forças Armadas Russas e o momento de sua execução já foram definidos”. Ainda assim, a Rússia diz que “não pretende retirar-se do processo de negociação com os Estados Unidos”.
Rapidamente, o líder ucraniano respondeu às acusações do Kremlin. Segundo Volodymyr Zelensky, tratam-se de “típicas mentiras russas”, sublinhando que a Rússia quer prejudicar o progresso entre a Ucrânia e os Estados Unidos nas negociações de paz.
“Esta suposta história de ‘ataque residencial’ é uma completa invenção destinada a justificar novos ataques contra a Ucrânia, incluindo Kiev, bem como a recusa da Rússia em tomar as medidas necessárias para pôr fim à guerra”, sublinhou Zelensky na rede social X.
Russia is at it again, using dangerous statements to undermine all achievements of our shared diplomatic efforts with President Trump's team. We keep working together to bring peace closer.
This alleged "residence strike" story is a complete fabrication intended to justify…
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) December 29, 2025
O líder ucraniano pediu, ainda, que os Estados Unidos reajam às ameaças russas. “É crucial que o mundo não se cale agora. Não podemos permitir que a Rússia prejudique os esforços para alcançar uma paz duradoura”, concluiu.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, reagiu às acusações russas, considerando que as alegações do Kremlin de que Kiev tentou atacar a residência de Vladimir Putin são “justificações falsas para [realizar] novos ataques da Rússia contra a Ucrânia, assim como para impedir o processo de paz“.
“Tática habitual russa: acusar o outro lado daquilo que se está a fazer ou a planear”, sublinhou Sybiha também na rede social X.
Russian manipulations regarding the alleged “attempt to attack Putin’s residence” are fabricated for only one reason: to create a pretext and false justification for Russia’s further attacks against Ukraine, as well as to undermine and impede the peace process.
Usual Russian…
— Andrii Sybiha ???????? (@andrii_sybiha) December 29, 2025
O chefe da diplomacia ucraniana reiterou que “a Ucrânia apenas ataca alvos militares legítimos no território russo — em resposta aos ataques russos à Ucrânia”.
“É possível que o ataque não tenha ocorrido”, diz Donald Trump
O suposto ataque ucraniano a uma das casas oficiais de Putin aconteceu poucas horas antes da chamada telefónica previamente combinada para esta segunda-feira entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo russo.
Durante a chamada, classificada pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, como “positiva“, os dois líderes abordaram o processo de negociações de paz e também a alegada ação de Kiev.
Segundo o conselheiro diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, citado pela TASS, o líder norte-americano terá ficado “chocado e indignado” quando Putin lhe contou sobre a alegada ação ucraniana. Trump terá sublinhado que não esperava “ações tão loucas” e também terá dito que a administração norte-americana, “graças a Deus”, não forneceu mísseis Tomahawk à Ucrânia.
Mais tarde, foi o próprio Donald Trump a falar aos jornalistas sobre o caso. Na Flórida, ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o Presidente dos Estados Unidos afirmou que foi o seu homólogo russo que o informou da situação. “O Presidente Putin disse-me hoje mais cedo que a residência foi atacada. Isso não é nada bom. Este é um momento delicado. Não é o momento certo. Uma coisa é atacar porque estão a atacar. Outra coisa é atacar a própria casa”, disse, relatando que Putin lhe transmitiu estar “muito irritado“.
De acordo com Trump, mesmo que Kiev tenha rejeitado as acusações, “a ação não é boa”, reiterou, admitindo, no entanto, que “é possível que o ataque não tenha ocorrido“.
JUST IN ????President Donald Trump says Vladimir Putin personally informed him that Ukraine struck Putin’s RESIDENCE during active peace talks
This is reckless This is insane You do not attack a leader’s home while negotiations are underway Trump made it clear He is furious This… pic.twitter.com/eBrFOFvsh4
— ⁿᵉʷˢ Barron Trump ???????? (@BarronTNews_) December 29, 2025
A chamada telefónica entre Trump e Putin aconteceu um dia após o líder norte-americano ter recebido Zelensky em Mar-a-Lago, na Flórida. Durante duas horas, os dois discutiram “todos os aspetos” da proposta de 20 pontos do plano de paz e Zelensky está 100% de acordo com alguns pontos, embora tenha revelado que mantém “posições diferentes à Rússia” em outros.
Trump e Zelensky não tinham a expectativa de resolver o conflito “num só dia” e, por isso, confirmaram que já está agendada uma próxima reunião entre as duas delegações no início do próximo ano — assim como outra edição de uma videoconferência que junte Trump, Zelensky e os líderes europeus.