Primeiro numa entrevista na sexta-feira, depois em Mar-a-Lago nesta segunda-feira. Donald Trump disse que os Estados Unidos da América atacaram território venezuelano, “ao longo da costa”. O Presidente norte-americano deu poucos pormenores sobre quem efetuou a operação, mas quando falava com os jornalistas na sua residência na Florida enquanto recebia o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, aludiu a uma estrutura no cais. Segundo fontes ouvidas pelo jornal New York Times, o ataque foi levado a cabo pela CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos.
“Houve uma grande explosão na área do cais onde carregam os barcos com drogas”, adiantou Trump à imprensa, em Palm Beach: “Atingimos todos os barcos e agora atingimos a área — é uma área de implementação, é lá que eles implementam, e isso já não existe”, acrescentou.
Este terá sido assim o primeiro ataque conhecido em terra perpetrado pelos EUA, depois de meses a bombardear barcos suspeitos de transporte de droga nas Caraíbas.
Segundo Trump, o ataque ocorreu na semana passada. “Nós acabámos de destruir, não sei se leu ou se viu, eles têm uma grande fábrica ou uma grande instalação de onde eles enviam, de onde vêm os navios. Há duas noites destruímos isso, portanto atingimo‑los com muita força”, disse o Chefe de Estado norte-americano na sexta-feira numa curta entrevista por telefone à rádio nova-iorquina WABC. Declarações que, no entanto, só esta segunda-feira foram citadas pela imprensa norte-americana.
Segundo o jornal norte-americano New York Times, fontes próximas afirmaram que o ataque foi levado a cabo pela CIA, que acredita que o alvo era utilizado pela organização criminosa transnacional Tren de Aragua para armazenar narcóticos e prepará-los para o transporte marítimo.
“Eles têm uma grande fábrica ou uma grande instalação de onde saem os barcos”, explicou Donald Trump, quando falava com o multimilionário republicano John Catsimatidis, proprietário da WABC, sobre as ações empreendidas contra o narcotráfico na região.
Esta segunda-feira Trump adiantou ainda ter falado “há muito pouco tempo” com Nicolás Maduro, mas que “não saiu grande coisa” da conversa com o Presidente da Venezuela. “Têm de compreender o que ele fez. Eles enviaram milhões de drogas para cá. Mas, e isso é igualmente mau, eles enviaram centenas de milhares de pessoas de prisões, instituições de saúde mental e hospitais psiquiátricos. Os ‘senhores da droga’ e traficantes de drogas foram todos enviados para o nosso país”, acrescentou ainda Trump aos jornalistas em Mar-a-Lago.
Em dezembro, Trump não descartou a possibilidade de uma guerra com a Venezuela, numa entrevista telefónica à NBC News, tendo vindo a reforçar a presença militar na região e a ameaçar com ataques terrestres. Durante uma chamada telefónica na véspera de Natal com as tropas a bordo do porta-aviões que está destacado no Mar das Caraíbas, o Presidente disse estar “tremendamente grato pelo trabalho” das tropas para “parar o tráfico de drogas na região”. Segundo a CNN, se o horário a que o Presidente se referiu durante a entrevista à WABC estiver correto, o ataque à instalação terá ocorrido aproximadamente ao mesmo tempo. “Agora estamos a ir atrás da terra. A terra é, na verdade, mais fácil”, atirou na altura, citado pelo Intercept.
Numa campanha progressivamente militarizada contra o que Trump diz ser o narcotráfico, os ataques norte-americanos mataram pelo menos 105 pessoas a bordo de embarcações venezuelanas na segunda metade deste ano.
Notícia atualizada às 8h20 de dia 30 de dezembro com informação avançada pelo New York Times