A agulha de António José Seguro virou definitavemente para os descontentes com as candidaturas moderadas, da área do centro político. Numa semana em que andou muito por cima nas sondagens diárias, o candidato coloca-se como “o candidato moderado com melhores condições de passar à segunda volta”.
É uma tentativa de empurrão a Luís Marques Mendes, que teve uma primeira semana de campanha difícil à conta das sondagens diárias. Esta tarde, em Viana de Castelo, como no dia anterior em Paredes, Seguro apresentou-se como o candidato da “mudança tranquila” ou da “força tranquila” e com isto tentar pescar nas águas menos agitadas ao centro. Os apelos à esquerda ficaram sobretudo pelos primeiros dias de campanha.
O teatro Sá de Miranda estava cheio e tinha alguns ex-governantes de Costa que são da região, como Marina Gonçalves (ex-ministra da Habitação), José Maria Costa (ex-secretário de Estado do Mar) ou Miguel Alves (ex-secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro). E ainda o antigo deputado do CDS Abel Batista — que Seguro fez questão de referir no palco.
O candidato começou o comício a ouvir Manuela Machado, mandatária distrital da sua candidatura dizer, como ex-atleta, que “o importante não é como se começa, mas sim como se acaba. E isso aplica-se a António José Seguro”, afirmou.
VASCO COELHO/OBSERVADOR
Nessa altura, Seguro ainda estava sentado na primeira fila a ouvir, mas levantou-se logo de seguida para uma intervenção onde foi claro no uso das palavras e, pela primeira vez, lançou um apelo direto “a todos os moderados”, a quem garantiu ser “uma força tranquila” e ser “o candidato moderado com melhores condições de passar à segunda volta”.
Além disso, Seguro tem também tentado contrariar a ideia que se colou à sua pele de um político inseguro, repetindo a cada comício que não precisa de “andar aos berros nem a insultar os adversários” para fazer política. Andar a “discutir na lama”, defendeu, não é “sobretudo para quem quer ser Presidente”.
Na intervenção perante sala cheia, o candidato presidencial também voltou ao tema dos riscos que esta eleição traz para a democracia, alertando que ela se “derruba por dentro, é uma espécie de vírus que entra por via eleitoral e depois vai destruindo”. Ao almoço, em Aveiro, o socialista já tinha alertado para a “pouca qualidade da democracia” que diz estar com uma “espessura muito fina que permite que os inimigos da democracia aproveitem” para “um regresso ao mundo velho”.
Tanto à tarde como ao início da noite, o candidato disse que “não está previsto nenhum golpe militar para dar cabo da democracia”, mas também avisou que “os inimigos da democracia metem-se dentro das instituições e depois fazem tudo para as destruir”.
VASCO COELHO/OBSERVADOR