O agente dos Serviços de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), que esta quarta-feira atingiu mortalmente Renée Nicole Good, foi identificado como Jonathan Ross.
A mulher de 37 anos morreu durante uma operação do ICE em Minneapolis, no estado norte-americano do Minnesota. Good foi atingida durante uma operação do ICE num dos bairros da cidade, quando seguia ao volante do seu carro. Deixa três filhos, todos menores de idade.
A morte de Renée Good gerou uma onda de contestação contra o ICE, levando milhares de pessoas às ruas para protestar em Minneapolis. Até porque o Departamento de Segurança Interna descreveu Good como uma “manifestante violenta”, que “perseguiu e impediu” os agentes de trabalharem. Também alegou que terá usado o carro como “arma” para tentar atropelar o agente. Aos olhos de Trump, Good era uma “agitadora”, uma descrição que é contestada pela família e amigos da norte-americana.
Segundo a imprensa norte-americana, Jonathan Ross esteve vários anos no exército dos EUA e há mais de uma década que presta serviços ao Departamento de Segurança Interna dos EUA. Esteve no Iraque entre novembro de 2004 e novembro de 2005, como membro da Guarda Nacional do Indiana. Segundo a NBC News, ganhou várias medalhas durante a missão.
No Iraque, foi um artilheiro numa equipa de patrulha logística de combate, segundo documentos judiciais citados pela NBC.
Quando voltou aos EUA, ingressou em 2007 nos serviços de controlo de fronteiras em El Passo, no estado do Texas. Trabalhou para esta agência norte-americana até 2015, como agente de informação no terreno. A imprensa americana refere que teria como funções recolher e analisar informação sobre cartéis de droga e redes de tráfico humano.
Ainda em 2015 juntou-se ao ICE no estado do Minnesota para identificar e prender “alvos de grande valor”. Em tribunal, nota a NBC News, também afirmou ser membro de uma task force conjunta com o FBI de combate ao terrorismo. É também instrutor de armas de fogo e um agente de recolha de informação no terreno. A estação de televisão refere que o agente descreveu o seu trabalho como envolvendo “investigação sobre crime organizado” e trabalhos em “casos de segurança nacional”.
A NBC News e a CBS News avançam que Ross terá estado envolvido numa operação do ICE, há seis meses, em que terá sido arrastado por um carro. O caso aconteceu em junho, quando um homem, identificado como Robert Muñoz-Guatemala, resistiu à ordem dos agentes do ICE para abandonar o carro onde seguia.
Segundo os documentos do tribunal, citados pela CBS, o agente partiu o vidro da porta atrás do lugar do condutor, para tentar destrancar a porta e obrigar o homem a sair. Terá sido nesse momento que Muñoz-Guatemala acelerou, arrastando o agente com o braço ainda dentro do carro. Após andar quase 100 metros, oRoss caiu — ficou com ferimentos e precisou de 33 pontos, escreve a CBS.
Vídeo terá sido gravado pelo agente do ICE
Entretanto, o site conservador Alpha News avançou um vídeo do momento em que Renée Good morreu. Alegadamente, terá sido gravado pelo próprio agente do ICE — num dos momentos, é visível no carro o reflexo de um homem, com um colete e um smartphone na mão.
O vídeo, que tem 47 segundos, mostra Good ao volante do carro, enquanto a sua mulher está no exterior do veículo. “Tudo bem, meu. Não estou zangada contigo”, é possível ouvir Renée Good dizer. Já Becca Good, a mulher de Renée, diz ao agente que “não mudamos as nossas matrículas todas as manhãs, só para que saiba”. “Vai ser a mesma matrícula quando vier falar connosco mais tarde. Quer vir atrás de nós? Eu digo para ires almoçar, grandalhão.”
Becca Good entra no carro e ouve-se outro agente dizer ao casal para sair do carro. O agente que filma o vídeo tenta colocar-se à frente do carro. No espaço de segundos, a mulher vira o carro para a direita e avança. A câmara agita-se, ouve-se um estrondo e o ângulo passa a ser o céu. Na parte final do vídeo, é visível o carro de Good a deslocar-se na estrada. Ouve-se o agente do ICE a praguejar.