Siga aqui o nosso liveblog sobre a situação no Irão

O Presidente dos Estados Unidos afirmou que os líderes iranianos o contactaram para negociar depois de os ter ameaçado com uma ação militar no país, que enfrenta fortes protestos antigovernamentais. O Irão foi apenas um dos temas abordados por Donald Trump com a imprensa a bordo do avião presidencial. O líder norte-americano disse também estar aberto a um encontro com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, e reiterou a intenção de tomar a Gronelândia, que descreveu como um território defendido por “dois trenós puxados por cães”.

“Os líderes iranianos ligaram” no sábado, começou por dizer Donald Trump aos jornalistas a bordo do avião presidencial no domingo, acrescentando que “está a ser planeada uma reunião”. “Eles querem negociar”, sublinhou. O republicano disse que está a receber atualizações de hora em hora sobre os protestos e deixou um aviso: “Talvez tenhamos de agir antes de uma reunião”.

“Estamos a analisar a questão com muita seriedade. As forças armadas estão a analisar a questão e estamos a considerar opções muito fortes. Tomaremos uma decisão”, assegurou Trump.

O Presidente norte-americano acredita que o Governo iraniano “está a começar” a ultrapassar uma linha, porque “morreram pessoas que não deviam ter morrido”, algo que atribuiu ao “reinado de violência” de Teerão. “Alguns manifestantes morreram espezinhados; eram muitos. E alguns foram baleados”, afirmou.

O republicano disse acreditar que o Irão leva as suas ameaças a sério depois de “anos” a lidar com o país, citando as mortes do general da Guarda Revolucionária Qasem Soleimani, do líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi e “a diminuição da ameaça nuclear iraniana”. Desvalorizou possíveis ataques iranianos a bases norte-americanas: “Se o fizerem, atacá-los-emos a níveis nunca antes vistos”.

O líder norte-americano disse ainda que planeia ligar ao empresário Elon Musk para discutir o posicionamento de satélites Starlink para “manter a internet a funcionar” no Irão. “Ele é muito bom nesse tipo de coisas, tem uma empresa muito boa”.

Quando as perguntas passaram para a Venezuela, o Presidente disse estar aberto a um encontro com a líder interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA. Questionado sobre se planeava reunir-se com Rodríguez, Trump respondeu: “Em algum momento, sim”. Notou que Washington está a trabalhar “muito bem” com Caracas.

Trump ainda respondeu a algumas perguntas sobre Cuba, região onde se tem focado depois da ação militar na Venezuela. O líder norte-americano adiantou que os dois países “estão a falar”. Especificou apenas que um dos tópicos que queria abordar são “as pessoas que vieram de Cuba e que foram forçadas a sair ou a deixar o país sob coação”.

O líder norte-americano também foi questionado sobre a intenção de controlar a Gronelândia, região autónoma da Dinamarca. “Se não tomarmos a Gronelândia, a Rússia ou a China vão fazê-lo”, avisou, garantindo que “não vai deixar que isso aconteça”. Donald Trump admitiu que prefere o caminho de um acordo — “é mais fácil” –, mas assegurou que “de uma forma ou de outra” os EUA vão ficar com a Gronelândia. “Basicamente, a defesa deles são dois trenós puxados por cães, sabiam?”

Questionado sobre se receia que uma ação como essa provoque uma reação da NATO, Trump sublinhou que a aliança transatlântica “não existiria se não fosse Presidente”. Afastou, no entanto, uma retirada dos EUA da NATO: “Eu gosto da NATO, mas questiono-me sobre se a NATO estaria lá para nós caso precisássemos dela. Não tenho a certeza que estariam”. Ainda acrescentaria: “Se afetar a NATO, que afete a NATO. Eles precisam muito mais de nós do que nós deles”.