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O Governo do Irão reabriu esta quinta-feira o espaço aéreo após uma suspensão de cerca de cinco horas, segundo a página de rastreio de voos Flightradar24, face a ameaças de um ataque dos Estados Unidos.
Segundo este portal, o Aviso ao Pessoal da Aviação expirou e alguns voos retomaram as rotas para Teerão após o encerramento do espaço aéreo que obrigou as companhias aéreas a cancelar, desviar ou atrasar voos.
With the NOTAM closing Iranian airspace expired, some flights are now making their way toward Tehran. https://t.co/IGaj36AUvI pic.twitter.com/Rhs03kbsmr
— Flightradar24 (@flightradar24) January 15, 2026
A mesma plataforma tinha avançado com o aviso, pouco antes das 02h00 (22h30 de quarta-feira em Lisboa), indicando que era válido por “pouco mais de duas horas”, período durante o qual apenas os voos internacionais com autorização podiam aterrar ou descolar de território iraniano.
As principais companhias aéreas da Índia, lideradas pela Air India e pela IndiGo, foram esta quinta-feira forçadas a cancelar voos e a redirecionar ligações internacionais devido ao encerramento do espaço aéreo do Irão.
“Tendo em conta a segurança dos nossos passageiros, os voos da Air India que sobrevoam a região [Irão] estão a utilizar rotas alternativas, o que poderá provocar atrasos”, informou a companhia aérea, em comunicado, na rede social X.
Due to the emerging situation in Iran, the subsequent closure of its airspace, and in view of the safety of our passengers, Air India flights overflying the region are now using an alternative routing, which may lead to delays. Some Air India flights where…
— Air India (@airindia) January 15, 2026
Outras companhias aéreas também confirmaram alterações nos seus serviços internacionais, ativando protocolos de reembolso e remarcação para os clientes afetados numa situação que descreveram como “fora do seu controlo”.
O Governo da Índia emitiu um alerta na quarta-feira, aconselhando os cidadãos indianos a abandonar o Irão e a evitar viajar para o país “até novas ordens”.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro de 2025, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e de execuções extrajudiciais de manifestantes detidos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem protestos.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se esta quinta-feira de emergência para “uma reunião informativa sobre a situação no Irão”, a pedido dos Estados Unidos, anunciou o porta-voz da presidência do Conselho, atualmente nas mãos da Somália.
A reunião do grupo de 15 países está marcada para as 15h00 (22h00 em Lisboa), segundo um comunicado do porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.
O porta-voz do português, Stéphane Dujarric, reiterou na quarta-feira, em conferência de imprensa, que a ONU “está extremamente preocupada” com “as imagens que surgem de manifestantes mortos pela violência durante os protestos”.