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As eleições de 2026 foram as presidenciais com menor taxa de abstenção dos últimos 20 anos, com 43,66%, de acordo com os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. Ainda assim, estes valores não chegam para superar a abstenção das últimas legislativas, em 2024 e 2025, em que os valores se situaram nos 40,16% e 41,77%, respetivamente.

As últimas presidenciais que registaram valores tão baixos como os deste ano foram as de 2006, quando Aníbal Cavaco Silva conseguiu reunir 50,56% dos votos, contra os 20,72% de Manuel Alegre e os 14,34% de Mário Soares. Na altura, a abstenção foi de 38,48%, num universo de 8.835.237 eleitores inscritos.

Cinco anos depois, Cavaco Silva seria reeleito, porém com uma abstenção consideravelmente maior do que na eleição que o colocou em Belém pela primeira vez. Dos 38,48% em 2006, a abstenção subiu 15 pontos percentuais para 53,48% em 2011, numa reedição do duelo Cavaco-Alegre. Nesse, Cavaco Silva teve um resultado ainda mais folgado: os 19,76% de Manuel Alegre ficaram longe dos 52,95% do ex-Presidente da República e antigo ministro das Finanças.

Há uma década, Marcelo tornava-se o vigésimo Presidente da República e o quinto em democracia, depois de conseguir reunir 52% dos votos, frente aos 22,88% de Sampaio da Nóvoa. Em 2016 a abstenção ficou longe dos valores de 2006, mas abaixo das presidenciais anteriores. A descida de cerca de 2 pontos percentuais resultou numa abstenção de 51,34%, mas antecipava a taxa de abstenção mais alta em presidenciais no século XXI, cinco anos depois.

Em 2021, Marcelo foi reconduzido à Presidência com 60,7% dos votos, na eleição presidencial que registou a taxa de abstenção mais alta desde a viragem do século: 60,76%, muito por causa da pandemia de Covid-21. Apesar dos valores, o número de votos de Marcelo Rebelo de Sousa aumentou 122.820, para 2.534.745 votos.

Nem mesmo os valores mais altos da abstenção em legislativas (51,4%, em 2019) e autárquicas (47,4%, em 2013) conseguem superar os valores das presidenciais em 2021. Ainda assim, os valores da abstenção destas presidenciais não chegam para superar a abstenção das últimas legislativas, em 2024 e 2025, em que os valores se situaram nos 40,16% e 41,77%, respetivamente.

E há taxas de abstenção mais baixas, noutras eleições no século XXI, do que na desta eleição presidencial. E não foram só as legislativas de 2024 e 2025, que estão frescas na memória da democracia. Também as legislativas de 2002 — ano em que Luís Marques Mendes, pelo PSD, foi eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Aveiro — conseguiram uma abstenção mais baixa, com 38,4%, quando Durão Barroso foi eleito primeiro-ministro.

Nas legislativas de 2005 — ano em que António José Seguro, pelo PS, foi eleito deputado à Assembleia República pelo círculo eleitoral de Braga — houve ainda espaço para uma descida para os 35,6% de abstenção, antes de uma nova subida, ainda que para valores percentuais, mesmo assim, abaixo da abstenção registada nestas presidenciais, em 2009, na recondução de José Sócrates, com 40,3% de abstenção.

Na eleição de Pedro Passos Coelho, os valores da abstenção subiram para os 41,9% e é preciso chegar ao ano da vitória da ‘geringonça’ para observar valores de abstenção mais altos que os desta eleição presidencial (44,1%). As taxas de abstenção mantiveram-se acima da abstenção deste último ato eleitoral até à eleição e reeleição de Luís Montenegro como primeiro-ministro.

No que toca a atos eleitorais autárquicos neste século, as eleições de 2013 (47,4%), 2017 (45%) e 2021 (46,6%) foram as que registaram uma taxa de abstenção superior ao último ato eleitoral para eleger o próximo Presidente da República. Entre os restantes atos eleitorais, o valor mais alto da taxa de abstenção situou-se nos 41% e o mais baixo nos 39%.