Dia para alargar ainda as malhas da rede. Mesmo embalado por sondagens que lhe dão 70% nas intenções de voto e por apoios de muitos dos notáveis da direita, incluindo o de Luís Marques Mendes, António José Seguro não quer correr riscos: de forma subtil e sem nunca o pedir expressamente, o candidato socialista vai piscando o olho a um eleitorado — o da direita — que será mais sensível a temas como crescimento económico, criação de riqueza e redução da carga burocrática.
Foi isso que fez, em grande medida, ao longo desta sexta-feira. Numa campanha de baixa intensidade, Seguro passou a manhã na Faculdade de Economia do Porto (FEP), num auditório cheio de alunos, professores, empresários e algumas figuras conhecidas do universo socialista, como Elisa Ferreira, ex-comissária europeia, e Teixeira dos Santos, antigo ministro das Finanças, e esteve à tarde nas instalações do CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, em Matosinhos.
Aí, em declarações aos jornalistas, António José Segurou assumiu estar “feliz” com apoio declarado por Luís Marques Mendes à sua candidatura, disse estar “satisfeito” com a vantagem confortável que parece nas sondagens, mas, ainda assim, deixou um aviso: “Não é indiferente o resultado eleitoral”.
Seguro sugeria assim que espera ter no próximo dia 8 de fevereiro um resultado robusto e uma diferença considerável sobre o líder do Chega, de forma a ter uma “legitimidade muito grande” quando assumir o cargo de Presidente da República. Quanto ao mais, Seguro voltou a defender que personifica a única candidatura que “representa Portugal”, que é suprapartidária, da “moderação, experiência e diálogo”.
De manhã, o socialista esteve cerca de três horas a ouvir perguntas e intervenções feitas a partir da plateia. Falou-se essencialmente de legislação laboral, crescimento económico, startups, empreendedorismo, burocracia e reforma administrativa, bandeiras habitualmente associadas ao espaço da direita e causas que animam, sobretudo, eleitores da AD e da IL.
Em resposta, António José Seguro mostrou-se alinhado com necessidade de retirar obstáculos à criação de emprego e de riqueza. “A criação de riqueza não é um pecado; é uma necessidade. O Estado desconfia das empresas e dos cidadãos. O Estado é um empecilho ao investimento e ao empreendedorismo em Portugal”, lamentou António José Seguro.
Noutra nota, o socialista reiterou que vetará a lei laboral se ela chegar a Belém tal como está desenhada, e não deixou fazer uma provocação ao Governo: “Fiquei agradavelmente surpreendido com a entrevista do senhor ministro da Economia”, atirou Seguro.
Recorde-se que Manuel Castro Almeida começou por dizer que a reforma laboral não teria “pernas para andar” sem um acordo na concertação social, foi corrigido pela ministra do Trabalho e acabou por se ver obrigado a recuar no Parlamento. Seja como for, Seguro já vai avisando que não aceitará diploma sem um acordo entre Governo, confederações patronais e, pelo menos, UGT.