A deslocação de dois dias de Nigel Farage, líder do partido britânico Reform UK, ao Fórum Económico Mundial em Davos — onde prometeu taxar os bancos e criticou as elites globais — custou mais de 50.000 libras (cerca de 57.000 euros), revelou o The Guardian. Além do custo da viagem, a convite do multimilionário iraniano Sasan Ghandehari, Farage confirmou ainda ter aceitado o equivalente a 1.100 libras (1.200 euros) em estadias em hotéis de luxo oferecidas pelos organizadores da conferência.

O líder do Reform declarou oficialmente a sua presença na conferência no registo de interesses dos parlamentares, embora tenha evitado confirmar quem financiou a deslocação. No mês passado, o jornal britânico tinha avançado que os custos tinham sido suportados pelo fundo HP Trust, do investidor Sasan Ghandehari, cuja fortuna está estimada em mais de 10 mil milhões de dólares (cerca de 8 mil milhões de euros).

Nigel Farage negou ter tido qualquer ligação à HP Trust e afirma que não há qualquer registo que o associe à empresa. Já a HP Trust garantiu que o político britânico foi consultor honorário, sem remuneração, por volta de 2018.

A presença em Davos do líder político já tinha gerado críticas devido às posições públicas anteriores de Farage, que já descrevera o Fórum Económico Mundial — onde prometeu “taxar os bancos” — como um passeio de “globalistas”.

A revelação do custo da viagem e do financiador intensificou o escrutínio sobre as ligações financeiras do Reform, falando-se também de uma doação de 200.000 libras (230.000 euros) feita pela empresa de design Interior Architecture Landscape, que tem a família Ghandehari entre os seus principais clientes. A empresa confirmou a relação comercial e esclareceu que a doação resultou de uma decisão “comercial e baseada em valores”, refletindo a convicção de que o Reform UK procura melhorar os setores onde a empresa opera, num comunicado citado pelo Guardian.

Reino Unido. O Reform de Nigel Farage procura ocupar o espaço do centro-direita e chegar ao poder

Pouco é conhecido publicamente sobre Sasan Ghandehari. Segundo relatos citados pelo Guardian, a fortuna da família terá origem na mãe, Hourieh Peramaa, descrita como uma investidora imobiliária de origem iraniana, refugiada nascida no Cazaquistão, que terá acumulado uma vasta riqueza no setor imobiliário.

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