“Há 90% de hipóteses.” Foi esta a probabilidade que uma fonte próxima da Casa Branca apontou ao jornal Axios para um ataque norte-americano ao Irão. O Presidente norte-americano está a “ficar zangado” e “a perder a paciência” com o regime iraniano, depois das negociações que ocorreram esta terça-feira em Genebra, na Suíça, e que acabaram sem se alcançarem resultados concretos. Uma “guerra total” contra Teerão é uma hipótese cada vez mais provável, sendo que os primeiros ataques poderão começar já este sábado.

Esta “guerra total” não teria apenas a participação dos Estados Unidos, avançou o Axios. Israel também entraria numa operação militar conjunta entre os Estados Unidos com os dois países a atacarem as bases onde o Irão esconde o seu programa nuclear, bases militares e locais onde estão os líderes do regime liderado pelo ayatollah Ali Khamenei. Apesar de ter havido “progressos” nas negociações das últimas semanas, não estão a satisfazer o lado norte-americano.

“O chefe está a ficar zangado. Algumas pessoas ao seu redor estão a avisá-lo dos riscos de começar uma guerra contra o Irão, mas acho que há 90% de hipóteses de vermos uma ação militar nas próximas semanas”, disse à Axios uma próxima de Donald Trump.

Os Estados Unidos vão alcançar a força militar máxima para atacar o Irão em meados de março, avançou a agência de notícias Reuters. Numa reunião da Situation Room com conselheiros de Segurança Nacional, foi abordado um eventual documento escrito que o governo iraniano se propôs a submeter aos Estados Unidos para resolver o impasse, na sequência das negociações em Genebra esta terça-feira.

“Estamos à espera disso dos iranianos”, referiu a fonte que falou com a Reuters, que realçou que Donald Trump já “ordenou um reforço militar na região, incluindo um segundo porta-aviões”. Por sua vez, a CBS News apontou para este fim de semana um possível ataque dos Estados Unidos contra o Irão, mas não é líquido que as forças norte-americanos avancem nos próximos dias.

Oficialmente, a porta-voz da Casa Branca admitiu esta quarta-feira que “há muitos argumentos e razões” para os Estados Unidos atacarem o Irão. Karoline Leavitt realçou também que a “diplomacia é a primeira escolha” do Presidente Trump e aconselhou o Irão a “fazer um acordo”, não tendo sido tomada uma decisão final em relação a um ataque.

Quanto a Donald Trump, Karoline Leavitt sublinhou que o líder norte-americano “está a falar com muitas pessoas — com pessoas do Conselho de Segurança Nacional — e é um assunto que leva a sério”. “Ele está sempre a pensar nos melhores dos interesses dos Estados Unidos, dos militares e do povo norte-americano”, garantiu a porta-voz da Casa Branca.

Israel eleva nível de alerta perante ameaça

Em caso de ser declarada uma “guerra total” dos Estados Unidos contra o Irão, o governo de Israel está a preparar-se para o território do país ser atacado. Segundo avança esta quarta-feira a CNN Internacional, as autoridades israelitas decidiram aumentar o nível de alerta e estão a intensificar as preparações militares para prevenir os piores cenários.

No seio do governo de Benjamin Netanyahu, acredita-se que as negociações entre Irão e os Estados Unidos não deverão chegar a bom porto. O executivo israelita mantém-se cético que o processo negocial vá aliviar a tensão entre Teerão e Washington. Neste sentido, o primeiro-ministro israelita já teve várias reuniões sobre segurança durante esta semana para garantir que existe coordenação com os Estados Unidos.

Neste contexto, o gabinete de segurança israelita deveria ter uma reunião esta quinta-feira, mas decidiu adiá-la para o próximo domingo. Além disso, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que visitará Israel no próximo dia 28 de fevereiro para debater a situação do Irão.

Irão prepara-se para a guerra e faz exercícios navais com a Rússia

Durante esta escalada de tensão, o Irão está a preparar-se para eventuais ataques norte-americanos no país. O regime de Teerão ainda pretende alcançar um acordo nuclear com os Estados Unidos, mas está a antecipar os preparativos para um conflito se as negociações com os norte-americanos colapsarem.

Como parte desse esforço, Teerão está a mobilizar forças de segurança para locais sensíveis, está a fortificar as instalações onde desenvolve o programa nuclear e a intensificar a repressão contra a dissidência interna.

Ao Wall Street Journal, o analista iraniano Farzan Sabet destacou que o Irão “está a enfrentar a pior ameaça desde 1988”. “O Irão está a preparar-se para ataques ao colocar a liderança política e de segurança em alerta máximo para prevenir a decapitação [do regime] e proteger as instalações militares.”

Em simultâneo, a Rússia e o Irão vão levar a cabo exercícios militares perto do Estreito de Ormuz. “Exercícios navais conjuntos da República Islâmica do Irão e da Rússia vão ter lugar [esta quinta-feira] no Golfo do Omã e no norte do Oceano Índico”, afirmou o porta-voz da marinha iraniana, Hassan Maghsoudloo.

Para estes exercícios militares, a Rússia enviou a corveta Stoikiy para as águas iranianas — a embarcação chegou ao porto de Bandar Abbas, no Irão, esta terça-feira.

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