Cada vez mais pressionado pelas declarações públicas de Pedro Passos Coelho, Luís Montenegro recusa responder na mesma moeda — ou assumir o papel de “comentador”. Para o primeiro-ministro, os portugueses escolheram-no para ser “um executor”, pelo que deve mostrar-se “focado” no país, sem se desviar desse rumo.

Aos jornalistas, falando esta sexta-feira após a cerimónia de tomada de posse dos presidentes das CCDR, em Évora, Montenegro arrumou assim o assunto: “Não vou alimentar nenhum enredo, por mais pitoresco que seja”.

“A minha tarefa é governar o país. É responder àquilo que são os anseios, necessidades, expetativas das pessoas, famílias e empresas. Não vou desviar-me desse foco”, disse aos jornalistas. “Aquilo que se exige de um primeiro-ministro é que resolva os problemas, é que se foque naquilo que é o essencial da sua missão”.

O primeiro-ministro reiterou que o Governo está focado em resolver os problemas dos portugueses e “em resolvê-lo com o processo de transformação que está em curso, que é transversal, que se materializa todos os dias”. “E espero que, com o tempo e os resultados, cada vez mais se perceba”, acrescentou.

A não-reação chegou depois de Passos ter considerado um “precedente grave” a passagem direta de Luís Neves de diretor nacional da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna, comparando-a à saída de Mário Centeno do governo para o Banco de Portugal, e de ter atacado diretamente a liderança de Luís Montenegro: “O Governo está há dois anos e parece que está lá há quatro anos”.

“Na política, só está quem quer”, atacou Passos. “Só vai para política quem quer. Para fazer alguma coisa. Já houve muito tempo para pensar, imaginar e trabalhar os cenários. Esse tempo acabou. É preciso começar a trabalhar e a fazer qualquer coisa.” Os portugueses, acrescentou ainda, estão “exaustas dos políticos que não querem fazer nada, que só querem fazer gestão do eleitor-contribuinte.”

Apesar de Montenegro se ter abstido de fazer comentários, o seu líder parlamentar, Hugo Soares, já tinha feito o papel de defensor do Governo esta semana, garantindo que Passos deu “um tiro ao lado” e que desta vez não tem razão: “Na maioria das vezes, [Passos Coelho] é um extraordinário analista político e um extraordinário político. Desta vez, enganou-se profundamente”.

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