Acompanhe neste liveblog a cobertura da guerra no Médio Oriente
As primeiras horas deste sábado começaram com um anúncio feito pelo Presidente dos EUA: estamos “a levar a cabo uma operação massiva e contínua para impedir que esta ditadura muito perversa e radical ameace a América”. Pouco depois, Israel disse tratar-se de uma operação conjunta. Há muito que o líder norte-americano vinha a ameaçar o início deste conflito e agora, com a operação “Fúria Épica”, efetivou-o. O Irão retaliou pouco depois, com ataques a vários países do Médio Oriente e tendo como alvo as bases dos EUA nestes países.
Por volta das 8h, na rede social X, Donald Trump publicou um vídeo onde surge com um boné branco com as iniciais do país que lidera. “As Forças Armadas dos Estados Unidos estão a levar a cabo uma operação massiva e contínua para impedir que esta ditadura muito perversa e radical ameace a América e os nossos interesses fundamentais de segurança nacional. Vamos destruir os seus mísseis e arrasar completamente a sua indústria de mísseis”, anunciou o presidente norte-americano.
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) February 28, 2026
Trump disse ainda que o Irão estava a trabalhar para reconstruir o seu programa nuclear após um bombardeamento norte-americano, em junho, contra instalações nucleares e que rejeitou “todas as oportunidades para desistir das suas ambições nucleares”. E lançou um desafio aos iranianos: deviam “tomar o controlo do Governo” do país na sequência dos bombardeamentos.
E se a operação, aos olhos dos EUA, ganhou o nome “Fúria Épica”, aos olhos de Israel chama-se “Rugido do Leão”. Pouco tempo depois do anúncio de Trump, também em vídeo, o líder israelita Benjamim Netanyahu confirmou a “operação conjunta” contra o que chamou de “ameaça existencial” por parte de Teerão. Tal como Trump, disse que esta ação militar pode “criar as condições” necessárias para provocar uma mudança de regime do Irão.
O ataque conjunto terá tido como alvo pelo menos seis cidades iranianas, com o objetivo de atingir instalações de poder político, avançou então a Al Jazeera. Os EUA e Israel tinham ainda alguns alvos muito concretos: o Líder Supremo do regime Ali Khamenei; o presidente iraniano Masoud Pezeshkian; e o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas Sayyid Abdolrahim Mousavi. Segundo a CNN, na lista de alvos estão também o secretário do Conselho de Defesa do Irão Ali Shamkhani; e o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irão Ali Larijani.
O complexo onde Ali Khamenei foi, durante a manhã, bombardeado e a destruição foi registada por uma imagem de satélite. Contudo, o paradeiro do líder supremo do regime iraniano é desconhecido, sendo que fontes próximas alegam que foi levado para um local seguro.
Satellite image shows damage to Ayatollah Ali Khamenei's compound in Tehran; his whereabouts are currently unknown
???? @Airbus pic.twitter.com/gVz1Qu842p— BNO News Live (@BNODesk) February 28, 2026
Irão retalia e ataca 9 países, entre os quais Israel
Nem duas horas depois do início do ataque, o Irão reagiu afirmando que “o inimigo criminoso, mais uma vez, em violação de todas as leis internacionais e durante negociações, voltou a atacar a nossa querida pátria”, afirmou o Ministério do Interior do país, citado pela agência noticiosa Tasnim.
E rapidamente começou a retaliar, tendo como alvo sete países do Médio Oriente, focando-se nas bases dos EUA. A primeira a ser visada foi no Bahrain, onde se situa o quartel-general do Comando Central das Forças Navais dos EUA. Depois do Bahrain seguiu-se Qatar, Kuwait, Jordânia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e também Síria. O Irão já lançou também ataques contra Israel, tendo enviado cerca de 35 mísseis durante a manhã, de acordo com estimativa do Times of Israel.
Pelas 12h registava-se pelo menos um morto, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em virtude de estilhaços que caíram uma área residencial.
Em resposta a esta retaliação, o Kuwait e Qatar já reagiram e ambos dizem ter direito de resposta, em conformidade com o direito internacional, avançou a Al Jazeera.
No que toca a baixas da parte do Irão, dirigentes israelitas avançaram ao Times of Israel que acreditam ter morto o comandante e principal general da Guarda Revolucionária iraniana, Mohammad Pakpour. Esta informação não foi ainda confirmada pelo Irão. Contudo, pelas 12h30 já se registavam mais de 50 mortos. As vítimas estavam em duas escolas, uma delas no sul do Irão e exclusivamente para estudantes do sexo feminino.
O Irão já colheu apoio por parte da fação iraquiana do Hezbollah. A milícia armada aliada do Irão no Iraque anunciou que vai retaliar brevemente com ataques e que passará a atacar bases norte-americanas.
União Europeia pede contenção. França quer reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU
A União Europeia já reagiu, num comunicado conjunto entre o Conselho Europeu e a Comissão Europeia, e pediu “contenção” por parte de todos os países envolvidos neste conflito. “Mantemos contacto próximo com nossos parceiros na região. Garantir a segurança nuclear e prevenir quaisquer ações que possam agravar ainda mais as tensões ou prejudicar o regime global de não proliferação é de importância crucial”, lê-se na publicação feita na rede social X.
António Costa e Ursula von der Leyen vincam que a União Europeia “tem promovido consistentemente esforços diplomáticos” para atingir uma “solução negociada” e afirmam que serão tomadas “todas as medidas necessárias para garantir” a segurança dos cidadãos da UE. Por fim, a UE apela “a todas as partes para que exerçam a máxima contenção, protejam os civis e respeitem integralmente o direito internacional”.
The developments in Iran are greatly concerning. We remain in close contact with our partners in the region.
We reaffirm our steadfast commitment to safeguarding regional security and stability.
Ensuring nuclear safety and preventing any actions that could further escalate… pic.twitter.com/lc2CFneDtL
— António Costa (@eucopresident) February 28, 2026
Já o Presidente francês Emmanuel Macron disse que o país está pronto “para mobilizar os recursos necessários para proteger os seus parceiros mais próximos”. “Neste momento crucial, todas as medidas estão a ser tomadas para garantir a segurança do território nacional. A escalada atual é perigosa para todos. Precisa de parar. O regime iraniano precisa de entender que não tem outra opção se não fazer negociações de boa-fé para encerrar programas nucleares”, escreveu na rede social X. E apelou a uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Le déclenchement de la guerre entre les États-Unis, Israël et l’Iran emporte de graves conséquences pour la paix et la sécurité internationale.
Dans ce moment décisif, toutes les mesures sont prises pour la sécurité du territoire national et celle de nos compatriotes…
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) February 28, 2026
Em Portugal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros disse estar em contacto com embaixadas do Médio Oriente. Numa nota emitida pela pasta tutelada por Paulo Rangel, lê-se que, desde o início do dia, “tem sido feito um contacto por parte do Ministro e do Gabinete de Emergência Consular a todos os Embaixadores locais”.
O MNE assegura que “foram emitidos conselhos aos portugueses residentes e transitoriamente (permanecer em casa, evitar deslocações desnecessárias)”. “Em caso de necessidade especial, contactar as Embaixadas ou o Gabinete de Emergência Consular e estar atento a toda a informação, em particular a que é facultada pelas Embaixadas, assim como cumprir as recomendações das autoridades locais”, lê-se ainda na nota. Este Ministério diz estar a acompanhar ao minuto todos os desenvolvimentos da situação.