O homem acusado de formular um plano para matar políticos norte-americanos, incluindo o atual Presidente Donald Trump e o seu antecessor, Joe Biden, admitiu numa sessão de julgamento na quarta-feira que trabalhou com a Guarda Revolucionária do Irão. O paquistanês Asif Merchant garantiu, no entanto, que só colaborou porque queria proteger a família, que vive em Teerão. “Eu não quis fazer isto de livre vontade”, sublinhou, citado pelo New York Times.

Merchant, de 47 anos, começou por descrever-se na audição de quarta-feira como um homem de negócios bem sucedido, que trabalhou em várias áreas, da banca à exportação de bananas e ao negócio de roupa do tio. Contou também que tem cinco filhos e duas mulheres: uma no Paquistão, outra no Irão. Foi através de um primo, explicou, que começou a trabalhar com um elemento da Guarda Revolucionária do Irão chamado Mehrdad Yousef. “Ele perguntou-me se eu estava interessado em fazer algum trabalho com o Governo iraniano e eu disse que sim”.

O paquistanês relatou que num primeiro momento colaborou na transferência de dinheiro para o Irão através de um sistema, o hawala, usado para contornar as sanções contra o país. Quando revelou a Yousef que sonhava começar a sua própria empresa de roupa nos EUA, este sugeriu-lhe que se mudasse para lá e recrutasse pessoas que simpatizassem com a causa iraniana. Assim fez, mas em março de 2024, quando se encontrou com o elemento da Guarda República do Irão foi instruído a procurar criminosos para orquestrar um plano de quatro fases: organizar um protesto, roubar documentos, lavar dinheiro e “talvez” assassinar alguém.

Os alvos não foram definidos de imediato, disse Merchant, mas no decurso de várias conversas com o contacto no Irão. Seriam revelados três: o atual chefe de Estado Donald Trump, o ex-Presidente Joe Biden e a ex-governadora da Califórnia Nikki Haley. O homem, de 47 anos, afirmou que, como temia pela vida da mulher e da filha adotada no Irão, aceitou ajudar. Porém, nunca achou que o plano podia ser concretizado.

“Eu não achava que ia ser bem sucedido”, admitiu Merchant. Essa certeza começou a formar-se quando em abril de 2024 regressou aos EUA e foi questionado durante várias horas por agentes de imigração. Depois disso assumiu que estava a ser vigiado pelas autoridades norte-americanas, além das iranianas, mas continuou com o plano.

O paquistanês acabou por ser detido no estado do Texas, em julho de 2024, e levado para Nova Iorque. A detenção aconteceu quando Merchant se encontrou com homens que queria contratar para assinar os políticos norte-americanos, mas que eram na verdade agentes do FBI.

Os procuradores à frente do caso acreditam que Merchant colaborou com a Guarda Revolucionária do Irão, que procura vingar a morte do general Qassim Suleimani, morto em 2020 pelos EUA. No entanto, não consideram que agiu por ter sido coagido ou por temer pela vida da família.

Quem é Qassem Soleimani, o general de elite do Irão morto pelos EUA?

Asif Merchant é acusado de crimes relacionados com terrorismo e com a contratação de assassinos. Está a ser julgado no Tribunal Distrital Federal de Brooklyn.

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