O vereador do Chega na Câmara Municipal de Lisboa, Bruno Mascarenhas, assegurou, esta quarta-feira, que ter a garantia do presidente do partido, André Ventura, de que este “não vai propor a sua saída” do partido. As declarações à SIC Notícias foram a primeira reação de Mascarenhas à polémica que envolve a sua namorada, Mafalda Guerra Livermore, acusada numa reportagem da RTP de arrendar casas sem condições de habitabilidade e sem recibo a imigrantes e de se fazer passar por advogada, apesar de não ter concluído o curso de Direito.

Livemore, que tinha sido nomeada vogal da administração dos Serviços Sociais da Câmara de Lisboa, em dezembro do ano passado, foi exonerada pelo presidente da autarquia, Carlos Moedas. Mas nem essa decisão acalmou a polémica e Rita Matias, uma das figuras de maior peso do Chega, defendeu a saída do vereador do cargo. “A nomeação é ridícula. Sou uma das vozes que também se opôs. Bruno Mascarenhas, se quiser fazer um favor ao partido, demita-se de vereador. Saia e passe o lugar, para ficar alguém que realmente represente o Chega”, apelou durante uma intervenção no NOW.

Além disso, também os deputados municipais apontaram a porta de saída a Mascarenhas, na terça-feira. “O grupo municipal do Chega, deputados e assessores, não se revê nas ações do vereador Bruno Mascarenhas, eleito pelo nosso partido. Nem foi consultado previamente sobre a indicação dos nomes para ocupar qualquer lugar das administrações das empresas municipais”, disse Luís Pereira Nunes, citado pelo semanário Expresso, na reunião da Assembleia Municipal desta terça-feira.

Ao Observador, Luís Pereira Nunes, que é também presidente da concelhia lisboeta do partido, atirou, no mesmo dia, a decisão para as mãos de André Ventura. “A confiança política não é retirada pela concelhia. Tenho a minha opinião, mas é um problema da direção.”

Mascarenhas, nas declarações à SIC, desvalorizou as críticas dizendo que Rita Matias “é uma ótima dirigente mas está a ir atrás de maus conselhos”, recordando que ele próprio tem um conflito com o pai da deputada, Manuel Matias. Além disso, recordou que o caso que envolve Livermore está a ser analisado pelo conselho de jurisdição do partido, mas não deixou de sublinhar que “há muitas histórias inventadas”.

O vereador do Chega considerou ainda que cabe a Moedas explicar porque nomeou Mafalda Guerra Livermore para administrar os serviços sociais da Câmara de Lisboa e também porque a exonerou posteriormente.