Os restos mortais de um bebé foram descobertos em 2024, debaixo do chão de uma casa vitoriana, no Reino Unido. O corpo estava envolto num jornal de 1910 e tinha um cordel enrolado três vezes no pescoço. Inicialmente, pensou-se que a criança tivesse nascido por volta dessa data, devido à data da publicação do jornal em que estava embrulhada. No entanto, uma investigação com recurso à datação por radiocarbono revelou que o bebé poderá ter vivido algures entre 1726 e 1812, o que sugere que a sua morte pode ter ocorrido há cerca de 300 anos.
O bebé, identificado em documentos oficiais como “Bebé Auckland”, foi descoberto por um empreiteiro durante obras de renovação num edifício em Bishop Auckland, uma cidade no nordeste de Inglaterra, no condado de Durham. Segundo o The Guardian, as autoridades foram imediatamente chamadas ao local após a descoberta um “pequeno esqueleto debaixo do chão”, tendo concluído que o corpo teria permanecido “intocado durante vários anos”.
“A polícia de Durham realizou análises de datação por carbono e de ADN. A análise de ADN confirmou que o bebé era do sexo masculino”, afirmou a oficial de justiça Stephanie Clough, citada pelo jornal britânico. Após a autópsia forense, os peritos estimaram que o bebé teria entre 38 e 40 semanas, mas concluíram que a causa da morte era incerta. “Não foi possível determinar se o bebé nasceu sem vida”, acrescentou Clough.
O jornal em que o bebé foi envolto correspondia à edição de 19 de junho de 1910 do Umpire, um popular jornal fundado em Manchester em 1884. Devido à data da publicação, as autoridades responsáveis pelo caso afirmaram em 2024, de acordo com a BBC, que iriam tentar rastrear os registos da propriedade para identificar quem terá vivido na casa vitoriana entre 1900 e 1920.
Apesar de a causa da morte não ter sido determinada, os médicos-legistas realizaram vários testes de datação por radiocarbono para tentar apurar em que época nasceu o bebé. Segundo a emissora britânica, a análise decorreu em várias fases. A primeira teve como objetivo excluir a “era nuclear”, que teve início em 1945, quando os Estados Unidos realizaram o primeiro teste de uma bomba atómica no Novo México, dado o impacto nos níveis de radiação no ambiente.
Uma vez confirmado que os restos mortais eram anteriores a esse período com base nos níveis de radiação no corpo do bebé, foram realizados testes adicionais. Os resultados finais sugerem que o intervalo de datas mais provável para a vida e morte da criança entre 1726 e 1812, apesar de o corpo estar envolto num jornal de 1910 e de a propriedade ter sido construída na era vitoriana.
“O meu foco é descobrir quem é o bebé, o que aconteceu e como foi parar debaixo do chão daquela casa. Assim que possível, estou determinado a garantir que este pequeno bebé receba um funeral apropriado e digno”, afirmou o inspetor-chefe Mel Sutherland, citado pelo The Guardian, na altura da descoberta dos restos mortais em 2024.
Dois anos depois, o médico-legista Jeremy Chipperfield autorizou a libertação dos restos mortais do “Bebé Auckland”, permitindo a realização do funeral.
A cerimónia fúnebre está marcada para 27 de abril, em Bishop Auckland, e a investigação do caso será retomado a 18 de maio.