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O ministro dos Negócios Estrangeiros português reúne-se esta sexta-feira de manhã com o homólogo libanês, Youssef Raggi, em Beirute, para expressar solidariedade com o Líbano e anunciar apoio financeiro para a educação de crianças deslocadas, disse fonte oficial.

Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) adiantou à Lusa que a visita de Paulo Rangel estava a ser preparada há vários dias e coincide com o início do cessar-fogo entre o Líbano e Israel.

Durante o encontro com o chefe da diplomacia libanesa, o governante português irá anunciar um apoio financeiro de 150 mil euros, no âmbito da UNESCO, destinado a apoiar a educação de dezenas de milhares de crianças afetadas pelo conflito, que já fez mais de um milhão de deslocados no Líbano.

O ministro já tinha anunciado, no mês passado, que Portugal faria uma contribuição extraordinária à UNESCO para apoiar a educação no país em guerra.

Reafirmar a “completa solidariedade” com o Líbano e expressar condolências pelas centenas de vítimas civis são outros objetivos da visita de Rangel ao país do Médio Oriente.

O ministro também deverá apelar ao “respeito integral” do cessar-fogo.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quinta-feira que o homólogo libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acordaram um cessar-fogo de 10 dias, em vigor a partir das 22h00 de quinta-feira (hora de Lisboa), e que o entendimento vincula o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.

O MNE português saudou a trégua, instando as partes a respeitar o acordo e a soberania e integridade territorial do país, sob ataques de Israel há um mês e meio.

A atual escalada entre Israel e o Líbano começou a 2 de março, dois dias depois do início dos ataques de Israel e EUA contra o Irão.

O Hezbollah lançou rockets contra o norte de Israel, rompendo uma trégua anterior e levando este país a responder imediatamente com ataques aéreos contra o território libanês, incluindo Beirute.

Sobre o conflito, o Governo português tem condenado reiteradamente os ataques do Hezbollah e os de Israel, apelando a uma total cessação das hostilidades, que considera benéfica para a população do Líbano, mas também para o processo de cessar-fogo da guerra envolvendo o Irão e que corre sob a mediação do Paquistão.

O ministro português já tinha visitado Beirute a 12 de fevereiro do ano passado, tendo sido então o primeiro chefe de diplomacia a reunir-se com o novo primeiro-ministro, Nawaf Salam, e o novo ministro dos Negócios Estrangeiros naquela altura.

Rangel tem mantido contactos regulares com o homólogo libanês — o último encontro dos dois ocorreu em Barcelona em novembro passado.

Segundo a agência das Nações Unidas para as migrações (OIM), mais de um milhão de pessoas foram deslocadas por este conflito, com mais de 141 mil atualmente alojadas em mais de 700 centros coletivos em todo o país.

O custo humano “tem sido devastador”, com mais de 2 mil mortes, ataques a instalações e profissionais de saúde e a destruição de estradas, pontes, casas e outras infraestruturas críticas, de acordo com a OIM.