O que há três semanas parecia não passar de uma mera formalidade, transformou-se rapidamente em mais um pesadelo para o Arsenal. Há pouco mais de 20 dias, os gunners lideravam a Premier League confortavelmente, com nove pontos de vantagem para o Manchester City e, há duas semanas, podiam ter alargado essa diferença para os… 12 pontos. Dias depois, estão já no segundo lugar, ainda que em igualdade pontual com os cityzens. Os londrinos despediram-se da liderança na última semana, depois de terem perdido (1-2) no clássico do Emirates frente à equipa de Manchester que, poucos dias depois, triunfou no reduto do Burnley (1-0). Agora, Mikel Arteta tinha pela frente um Newcastle estabilizado na metade inferior da tabela e que estava longe de facilitar a missão da sua equipa, que estava obrigada a ganhar para depender só de si na luta pelo título.

Pep não precisa de ir comprar nada quando tem a máquina em campo: City vence Arsenal e fica a três pontos da liderança (e com menos um jogo)

“Continuamos com a mesma energia e a mesma a confiança. Acho que a clareza sobre o que temos de fazer não poderia ser melhor. Faltam cinco jogos. Amanhã [sábado] é o primeiro jogo e vamos dar tudo. Vamos a isso. Se ganharmos amanhã, se ganharmos o primeiro jogo, ficaremos muito mais perto. Acredito nos nossos jogadores, na nossa equipa e na determinação que temos para alcançar o que queremos. Faltam cinco jogos, quatro semanas, estão duas grandes competições em jogo e tudo ainda está em aberto. Se alguém nos tivesse dito isso no início da época, teríamos aceitado de bom grado. Estamos muito entusiasmados e amanhã é o primeiro jogo. Estamos apenas a falar de possibilidades. A primeira coisa que temos de fazer é conquistar o direito de ganhar o jogo e, depois, ganhá-lo. Só depois, dependendo da situação, é que se pode pensar noutras coisas. A prioridade é sermos melhores do que o adversário, conquistarmos o direito de ganhar o jogo e ganhá-lo. Essa é a primeira coisa”, assumiu Arteta.

Para a receção ao Newcastle, Mikel Arteta voltou a contar com Bukayo Saka, que recuperou de lesão e juntou-se a Viktor Gyökeres no banco, com Kai Havertz, Eberechi Eze e Noni Madueke a jogarem no ataque. No meio-campo, Declan Rice, Martín Zubimendi e Martin Odegaard foram os escolhidos, com Piero Hincapié, Gabriel Magalhães, William Saliba e Ben White na baliza, à frente de David Raya. Em termos de problemas físicos, Jurriën Timber e Mikel Merino foram os únicos que se mantiveram arredados das opções do espanhol. Sem Anthony Gordon e o suspenso Joelinton, Joseph Willock e Bruno Guimarães foram lançados por Eddie Howe no onze forasteiro.

O jogo começou a todo o gás e com o Newcastle a criar a primeira ocasião aos 20 segundos, com William Osula a fugir à defesa em velocidade pela meia-esquerda, mas a falhar o remate já dentro da área (1′). Logo a seguir foi a vez de Sandro Tonali descubrir Guimarães em zona de tiro, à entrada da área, só que a finalização do brasileiro saiu para fora (4′). A resposta saiu de bola parada, com o canto a ser cobrado à maneira curta para a entrada, onde Havertz trabalhou e deixou para o fantástico remate de Eze, de primeira e de fora da área, para o golo inaugural (9′). Curiosamente, os gunners não marcavam de canto há dois meses. Na reta final do primeiro tempo, o internacional alemão voltou a lesionar-se e foi imediatamente substituído por Gyökeres.

A segunda parte continuou equilibrada e pouco mexida, com Arteta a aproveitar para colocar Gabriel Martinelli no lugar de Eze. Howe respondeu com Harvey Barnes e Yoane Wissa nos lugares de Jacob Murphy e Osula e, ja na parte final, Wissa apareceu isolado depois de um grande passe mas, perante a saída de Raya, atirou por cima com tudo para fazer melhor (80′). Já com Saka e Myles Lewis-Skelly em campo, Barnes cruzou largo na direita, mas o cabeceamento de Wissa acabou nas mãos do guarda-redes (83′). Anthony Elanga ainda saiu do banco na parte final, antes de Odegaard testar Nick Pope com um tiro de fora da área (87′), naquela que viria a ser a última oportunidade do jogo, apesar do sufoco final do Newcastle (1-0).

Feitas as contas, o Arsenal voltou às vitórias depois de três jogos sem vencer e está, para já, isolado no primeiro lugar da Premier League, com mais três pontos, um jogo e um golo na diferença de golos que o Manchester City. Por outro lado, os magpies levam cinco derrotas seguidas.